A alta na temperatura e também na conta de água seriam boas razões para explicar a fila de pessoas em frente ao poço semi-artesiano do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), na zona sul de Londrina. Mas, segundo os próprios 'sedentos', o principal atrativo é a boa qualidade da água.
Desde que o poço entrou em funcionamento, há cerca de 30 anos, ele é visitado diariamente por dezenas de pessoas que chegam de carro, moto e bicicleta com galões vazios. Para atendê-los, o Iapar instalou uma torneira comunitária, próxima à portaria do local. ''Chegamos a tirá-la com receio de que a aglomeração de pessoas à beira da BR-369 causasse algum acidente, mas tivemos que voltar atrás porque recebemos diversas reclamações'', disse o engenheiro civil Jooji Takaoka, responsável pelo setor de obras e manutenção.
De acordo com ele, o poço abastece todos os departamentos do Instituto e sua fama espalhou-se pela cidade através dos funcionários. Takaoka já experimentou a água, mas não sentiu tanta diferença em relação ao produto que recebe em casa: ''Nossos testes comprovaram que ela é potável e nunca ouvimos alguém dizer que passou mal ao ingeri-la''. Anteontem, a reportagem da Folha encontrou um usuário desconfiado. Pedro Gonçalves é motorista da Penitenciária Estadual de Londrina (PEL) e, pelo menos duas vezes por mês, busca água no poço do Iapar. ''Faz parte do meu trabalho. Uma vez experimentei dessa água e não gostei muito. Prefiro comprar água mineral'', explicou.
A assistente-administrativa do Iapar, Márcia Cândida de Oliveira, trabalha no local há 13 anos, mas anteontem foi a segunda vez que pegou água do poço. De acordo com ela, o motivo é a escada do seu prédio. ''Não aguento subir os degraus com um galão de 20 litros'', explicou Márcia, que trazia o filho para ajudá-la. Quarta-feira, também foi a segunda vez que o motorista Ademir Valério de Abreu matou a sede no poço. Morador da região norte (lado oposto ao Iapar) ele aproveitou o trajeto do trabalho para encher um galão e uma garrafa térmica. ''Está água é mais leve e tem um gosto melhor que a de casa'', justificou.
Só para lembrar. Desde o último final de semana, o paranaense está pagando 8,4% a mais na tarifa de água tratada e distribuída pela Sanepar.

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