Pobres têm mais chance de sofrer depressão
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quarta-feira, 17 de agosto de 2011
Marcos Roman <br> Reportagem Local 
Os brasileiros pobres e com pouca escolaridade são mais suscestíveis à depressão e a demências ao logo da vida. O fato foi constatado em uma pesquisa sobre saúde no Brasil realizada pela revista médica inglesa The Lancet. De acordo com artigos divulgados recentemente pela publicação, os menos favorecidos têm mais dificuldade para contornar as adversidades e, por isso, podem acabar ficando depressivos. Já o surgimento de enfermidades como Mal de Alzheimer e Doença de Parkinson está ligado à falta de estímulo cerebral provocado pelo baixo grau de instrução das pessoas financeiramente menos favorecidas.
Segundo a revista, os dados sobre depressão são escassos no Brasil. A publicação cita um estudo realizado em 2003, quando 18,8% dos brasileiros declaram ter sido diagnosticados com a doença. Entre os sintomas mais comuns relatados pelos pacientes estão tristeza, perda de interesse pela vida, alterações de sono, falta de apetite e outros.
O neuropsiquiatra Eduardo Prado, de Londrina, explica que a depressão pode estar ligada à falta de qualidade de vida, um problema comum entre pessoas com menor poder aquisitivo. ''Muitas vezes a depressão está associada a situações estressantes, como viver em um ambiente violento ou passar por privações de coisas básicas, como acesso à saúde pública de qualidade e alimentação, sono e lazer adequados. Isso acontece com maior frequência nas regiões pobres e se torna particularmente evidente no Brasil devido à enorme disparidade de renda do nosso país'', explica.
Entretanto, Prado ressalta que a doença tem causas multifatoriais. ''A depressão pode ainda estar relacionada a alguma perda, como falecimento de alguém querido ou término de algum relacionamento, por exemplo. Fatores biológicos como anemias, hipotireoidismo, câncer, derrames e outras doenças também podem desencadear um quadro de depressão'', enfatiza.
O neuropsiquiatra afirma que a depressão é diagnosticada clinicamente quando o paciente relata que os sintomas da doença persistem por mais de duas semanas ou se apresentam de forma muito intensa. Prado explica que o quadro pode ser caracterizado como leve, moderado ou grave. ''O caso é considerado grave quando a pessoa tem ideias suicidas, grande comprometimento de suas funções ou sintomas psicóticos'', esclarece.
O tratamento é feito por meio de medicamentos antidepressivos, juntamente com acompanhamento psiquiátrico e psicológico. ''O ideal é que o paciente seja acompanhado por um psiquiatra e um psicólogo, mas em casos de depressão leve apenas o acompanhamento psicológico pode resolver o problema'', afirma Prado.
Segundo ele, o tempo de tratamento depende do quadro do paciente. O neuropsiquiatra destaca ainda que os medicamentos antidepressivos não causam dependência e que os efeitos colaterais são menos nocivos que a ''toxicidade'' causada pela doença. ''Atualmente os antidepressivos não deixam mais a pessoa sonolenta como antigamente. A medicação pode levar à regeneração neural e ao equilíbrio do humor. Ao contrário da doença que, quando não tratada, pode desregular as taxas hormonais e imunológicas do paciente, além de aumentar a produção de radicais livres, que acelera o envelhecimento das células'', acrescenta.
Manter a qualidade de vida, com boa alimentação e prática de exercícios físicos estão entre as formas mais indicadas de evitar a depressão.


