Os moradores do Jardim Água Boa, em Campo Magro, Região Metropolitana de Curitiba, estão reclamando dos efeitos causados pela produção de adubos da Indústria de Fertilizantes Sologran. Todos os dias, as casas da região amanhecem cobertas por um pó branco. As hortas e pomares não conseguiram sobreviver à poluição e as árvores deixaram de dar frutos. Além disto, os moradores ainda alegam que estão sofrendo problemas de saúde, como renites e alergias, por causa do pó.
A moradora Antônia Levinsky, de 58 anos, disse que os netos não podem mais passar a semana na casa dela por causa da poluição. ‘‘Tenho uma neta que tem bronquite e quando ela vem para cá, o problema aumenta’’, afirmou ela. Antônia disse que sente constantes dores de cabeça e fica irritada por causa do pó. ‘‘Tenho medo que isto acabe prejudicando ainda mais o convívio com os moradores e até mesmo com os familiares’’, contou.
Ela contou que convive com o pó de calcário há três anos. Nos últimos oito meses, a indústria estava utilizando um filtro que vinha diminuindo os efeitos da poluição na região. ‘‘Passamos um período bom’’, disse. Mas nos últimos três meses, de acordo com ela, os problemas voltaram.
A dona de casa Virgínia Budi, de 78 anos, disse que há três meses deixou de beber água do poço. Segundo ela, o poço abastecia a geladeira da sua casa há 15 anos e agora esta poluído. ‘‘Não sei mais o que irei fazer, estou perdendo tudo’’, disse ela. Virgínia contou que a horta toda secou e as árvores perderam os frutos. Ela mesma está enfrentando problemas de pulmão por causa do ar e disse que nem lavar roupa consegue mais. ‘‘A roupa sai do varal com tanto pó, que tenho que lavar de novo’’, afirmou.
O diretor da indústria, Genito Massochin, disse ontem que a empresa está cumprindo todas as exigências do Instituto Ambiental do Paraná (IAP) e tem usado diariamente o filtro responsável pela purificação dos gases. ‘‘O pó que sai da fábrica é normal e não pode matar plantas, porque é fertilizante’’, argumentou. Ele disse que, por causa do pó de calcário, precisa cortar a grama da fábrica a cada 15 dias. ‘‘Se algo matou as plantas, foi a geada’’, disse ele.
Massochin disse que o pó de calcário também não ocasiona males à saúde e, mesmo assim, está providenciando mais um filtro para a fábrica. ‘‘Vamos fazer isto por iniciativa própria’’, afirmou. O novo filtro não tem data para ser comprado e depende do faturamento da empresa. O preço do equipamento, de acordo com o empresário, é de R$ 2 mil.
A engenheira química do IAP, Maria Izabel Chuves, disse que os equipamentos solicitados pelo instituto foram instalados na fábrica. De qualquer forma, alguns técnicos farão uma nova vistoria na Sologran. Ela suspeita que algum equipamento esteja com defeito. ‘‘Já recebemos várias denúncias e iremos atuar com rigor’’, afirmou ela. De acordo com Maria Izabel, se for constatada alguma irregularidade, a empresa poderá pagar uma multa que varia entre R$ 50,00 a R$ 5 mil. Ela ainda poderá ser embargada e, até mesmo, interditada por tempo indeterminado.

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