Dois meses após o início da fiscalização da Secretaria Municipal do Ambiente (Sema) nas borracharias de Londrina, com o objetivo de garantir o descarte correto das carcaças de pneus, muitas pessoas ainda não se conscientizaram do risco que representa o despejo irregular. No fundo de vale do Jardim Colúmbia (zona oeste), próximo à Rua Juvenal Pietraroia, estão dezenas de pneus, acumulando água de chuva e, consequentemente, servindo de criadouros para o mosquito transmissor da dengue, o Aedes aegypti. Muitas carcaças também estavam queimadas.
A técnica de Enfermagem Keila Miguel mora nas proximidades do fundo de vale há sete anos e conta que diariamente vê pessoas descartando pneus no local. "Várias vezes anotei a placa dos carros e liguei para a Sema, porque a situação estava insustentável. É um risco para nós moradores esse criadouro de mosquito", destacou.
A artesã Maria Salete Evangelista, que também é vizinha do fundo de vale, confirma o descaso. "A diferença é que antes eles vinham despejar os pneus aqui durante o dia e agora, com essa fiscalização da Sema, estão vindo à noite."
A algumas quadras do fundo de vale, Antonio Lucas da Silva mantém uma borracharia há mais de três anos. Ele relata que sabe do despejo irregular e lamenta o comportamento das pessoas, segundo ele, que vêm de outras regiões da cidade. "Eles prejudicam não só o visual do bairro, como também acabam degradando o meio ambiente e favorecendo o aparecimento de mosquitos da dengue. É mesmo lamentável, quem todos dessem o destino correto para os pneus como nós damos aqui", opina.

Notificação
Segundo o gerente de Fiscalização da Sema, Luiz Campanhã Filho, mesmo com o trabalho realizado pela secretaria, o despejo irregular ainda continua por falta de conscientização de alguns proprietários de borracharias. "Sabemos que não são todos. A grande maioria respeita e faz a destinação correta, mas o problema continua acontecendo por causa de uma minoria."
A cidade tem cerca de 200 borracharias e o objetivo da secretaria é visitar todas até o final deste mês. Até a manhã de ontem, 90 estabelecimentos haviam sido vistoriadas. Durante a visita, os fiscais da Sema notificam os proprietários, que têm o prazo máximo de 30 dias para comprovar a destinação correta das carcaças.
O gerente de Fiscalização lembrou que quem não apresentar a documentação após 30 dias será multado. "A multa é baseada em leis ambientais e gira em torno de R$ 1 mil. Porém, o pessoal tem vindo e apresentado a documentação", diz.
Londrina tem somente um ponto de recebimento de pneus, localizado na Avenida Leste-oeste. De lá, as carcaças são encaminhadas para uma cimentaria de Curitiba, onde são reaproveitadas na geração de calor para os fornos de produção do cimento. Cada proprietário da borracharia paga R$ 0,50 por pneu. Caso não seja devidamente destinado, o pneu pode demorar mais de 100 anos para se decompor na natureza.


Leia Também:

- Saúde confirma 302 casos em Londrina

mockup