Pneumonia não é resquício de gripe
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quinta-feira, 30 de julho de 2009
Luciano Augusto<br>Reportagem Local 
Todo inverno é sempre igual. Junto com o frio, ocorre um aumento dos casos de doenças respiratórias, como gripes e resfriados. Estas enfermidades alteram a imunidade do doente e facilitam o aparecimento de infecções, entre elas a pneumonia. Mas os especialistas no assunto explicam: pneumonia não é provocada por uma gripe mal tratada nem é sinônimo de gripe A, como muitos doentes podem confundir.
Como boa parte das vítimas fatais do vírus H1N1 desenvolveu pneumonias graves, disseminou-se a crença de que uma coisa seria derivada da outra. Contribui para essa confusão a existência de alguns sintomas semelhantes, como febre alta, tosse e dores pelo corpo. E também o fato de ambas serem mais comuns no inverno. O Hospital Evangélico (HE), por exemplo, registrou 86 casos de pneumonia só de 1º de junho a 23 de julho. No Hospital Universitário (HU), foram outros quase 200 casos entre maio até 21 de julho.
O pneumologista Guilherme Antônio Fazolo explica que a pneumonia é uma infecção que afeta os pulmões e até pode ser provocada pelo vírus da gripe suína, mas esta não é uma regra geral. O tipo mais comum, segundo o profissional, é a pneumonia chamada de bacteriana, ou seja, provocada por bactérias.
Fazolo esclarece que as infecções dos pulmões se desenvolvem quando o ''hospedeiro'' está com as defesas imunológicas deficitárias por alguma razão, como durante uma gripe. No caso da gripe A, há pacientes menos resistentes ao vírus H1N1. Isso faz com que o sistema imunológico fique debilitado, o que facilita o surgimento de pneumonias graves, provocadas pelo próprio vírus da gripe suína, que são muito difíceis de serem tratadas. ''Esse vírus, em particular, se instala e se multiplica nos pulmões e provoca infecções graves'', complementa.
O médico orienta que o uso de máscaras e a higienização frequente das mãos - medidas que estão sendo adotadas pelo população - podem ajudar a evitar as gripes, mas não surtem praticamente nenhum efeito para prevenir as pneumonias. Por outro lado, ele alerta sobre os riscos da automedicação: ''Isso pode mascarar uma infecção e ainda selecionar bactérias resistentes e dificultar o tratamento.''
A servidora pública Rosemeire Fernandes passou por um susto há alguns dias, quando ouviu o diagnóstico de que a filha Letícia, de 11 anos, havia desenvolvido uma pneumonia bacteriana. A menina começou a ter febre alta e constante, dor de garganta e tosse e um primeiro médico teria diagnosticado uma inflamação das amígdalas. O problema foi que a febre não cedia, mesmo com o uso de antibióticos, e outra médica diagnosticou a doença por meio de raio-X. ''Fiquei apavorada porque minha filha sempre teve a saúde perfeita. Perguntei até se podia ser gripe A, mas a médica explicou que não'', comentou Rosemeire. Letícia melhorou, mas permanece fazendo fisioterapia para os pulmões.
Assustada também ficou Patrícia Kudo e Aguiar quando a filha Mariana, de dois anos, estava com pneumonia bacteriana. A criança apresentava febre de quase 40 graus e tosse. O primeiro médico indicou um analgésico e antitérmico e muito chá. Como a febre não passava, a mãe procurou a pediatra da filha, que diagnosticou bronquite e um princípio de pneumonia bacteriana. ''Fiquei apavorada porque pneumonia pode matar e ela nunca tinha tido problema respiratório'', comentou Patrícia, que confessa ter temido que a menina tivesse contraído gripe A. ''Meu irmão tinha ido trabalhar na fronteira com a Argentina e pensei que ele pudesse ter trazido o vírus de lá'', admitiu Patrícia.


