O estouro de um pneu interno do trem de pouso do Boeing 737-200 da Vasp que decolava às 12h30 de ontem de Curitiba com destino a Londrina, forçou o piloto da aeronave a voltar ao Aeroporto Internacional Afonso Pena, em São José dos Pinhais, minutos depois da partida, acionando o esquema de segurança do aeroporto e causando apreensão e suspense dentro do avião. Num intervalo de apenas 11 dias, os passageiros do vôo 111 da Vasp, do trecho Curitiba-Londrina, tiveram dois sustos diferentes. No dia 19 do mês passado foi uma ameaça de bomba que causou transtorno, medo e atraso de mais de 2 horas na decolagem.
Dos 54 passageiros que embarcaram no vôo de ontem, 38 tiveram que esperar mais de quatro horas para embarcar num vôo da Rio Sul, por volta de 18 horas. Os 16 restantes ficaram no Hotel Eduardo VII, em Curitiba, e embarcariam hoje para Londrina, às 12h45. Segundo o gerente da Vasp no Aeroporto, José Carlos Moletta, o incidente não é incomum. ‘‘Outras empresas tiveram o mesmo problema. Um avião da Varig, há cerca de um mês, também estorou o pneu’’, disse.
Mauro FrassonAtrasoJorge Misuki, operário que vive no Japão, teve que adiar por mais um dia sua chegada a Londrina, de onde segue para Toledo, terra dos seus familiaresMoletta argumenta que a empresa tomou todos os procedimentos para garantir a segurança dos passageiros. Isso, segundo ele, impede que a Vasp tenha sua imagem arranhada pelo fato. O gerente negou que o pneu tivesse qualquer tipo de problema. ‘‘A empresa não iria pôr em risco uma aeronave de R$ 50 milhões por causa de um pneu’’, afirmou. O setor de manutenção da empresa deve fazer uma estudo detalhado para descobrir as causas do incidente.
Apesar do transtorno, Moletta disse que não houve pânico nem tumulto quando os passageiros foram comunidos que teriam de retornar ao Afonso Pena. O operário Jorge Misuki, 19 anos, passageiro do vôo, ratifica a afirmação. ‘‘Foi tão normal quanto qualquer outro pouso’’, disse. Nem o fato de estar sem ver a família e a namorada há um ano tirou o humor de Misuki, que disse não ter ficado chateado com o incidente. ‘‘Foi um imprevisto e imprevistos acontecem. A gente não pode julgar’’, disse. O opérario, que retornou ontem do Japão e havia passado 30 horas em aviões, permaneceu em Curitiba e vai hoje a Londrina. Depois a Toledo, terra onde residem os familiares.
Por telefone, do Hotel, Misuki elogiou a postura da Vasp no tratamento dos passageiros. ‘‘A empresa foi eficiente com os passageiros que ficaram aqui’’, afirmou. Ele, no entanto, disse que alguns passageiros ficaram irritados com o incidente. Conforme o operário, nem mesmo o tratamento eficiente da empresa aplacaria a ira destes.Mauro FrassonReparoDepois de retornar ao aeroporto, o Boeing 737-200 da Vasp ficou no pátio para a troca do pneu estourado; incidente provocou o cancelamento do vôo 111James Alberti

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