CAMPO MOURÃO - Dois policiais militares de Campo Mourão - o cabo Vanderlei Anselmo Barco e o soldado José Carlos Villas-Boas - são os principais suspeitos por um triplo homicídio ocorrido no dia 30 em Brasilândia do Sul (60 quilômetros ao sul de Umuarama). A suspeita surgiu no início da semana passada e eles chegaram a ter prisão temporária de cinco dias decretada pela Justiça, mas o caso ficou em sigilo. No final de semana, o juiz Jair Antônio Botura, de Umuarama, decretou a prisão preventiva de Villas-Boas. O mesmo estava para ocorrer com Barco.
O caso deveria envolver o Fórum de Alto Piquiri, mas a cidade está sem juiz e sem promotor. Segundo o comandante do 11º Batalhão de Polícia Militar de Campo Mourão, major Sidnei Edson Mella, os dois policiais não estavam trabalhando no dia do crime. Villas-Boas estava em férias e Barco, de licença. Eles ficaram retidos no batalhão assim que seus nomes apareceram nas investigações policiais. Em seguida, foram transferidos para Umuarama e Cruzeiro D’Oeste.
A transferência aconteceu para que eles ficassem mais próximos do local onde foi instaurado o inquérito, em Alto Piquiri, e se mantivessem à disposição da autoridade policial. Com a preventiva, eles vão continuar detidos em quartéis da Polícia Militar.
De acordo com as investigações da polícia de Alto Piquiri, os dois PMs seriam os autores dos tiros que mataram três pessoas na madrugada do dia 30, na PR-486, entre Brasilândia do Sul e Alto Piquiri. Os agricultores Geraldo Siqueira Miranda, 33, e Gélson Siqueira Miranda, 29, e o corretor Sílvio Roque Sampaio, 26, foram mortos com uma pistola semi-automática 380.
Geraldo levou três tiros - um na cabeça, um na virilha e outro no pé - e o corpo dele estava dentro de um Fiat 147 placas ALL-5527 (Assis Chateaubriand). Os outros dois corpos foram encontrados a cerca de 200 metros do carro. Gélson levou quatro tiros - três na barriga e um na cabeça -, enquanto Sampaio foi atingido com três disparos na cabeça e no peito.
Segundo a polícia, tudo leva a crer que os dois estavam tentando fugir quando foram atingidos. Os três mortos eram de Assis Chateaubriand. A suspeita é que os policiais de Campo Mourão teriam sido contratados para matar o trio por causa de dívidas.
De acordo com informações, as vítimas costumavam fazer negócios com corretores de Assis Chateaubriand. Dois telefonemas anônimos avisaram a Polícia Rodoviária de Assis sobre os corpos. Na segunda-feira, a Folha recebeu um telefonema anônimo dizendo que tanto a PM quanto a Polícia Civil tentavam ‘‘abafar’’ o caso.
O major Mella, porém, disse que o caso foi mantido em sigilo apenas para não prejudicar as investigações. ‘‘Há mais pessoas envolvidas’’, frisou. Na semana passada, por exemplo, Villas-Boas ficou quase cinco horas prestando depoimento, mas o que ele disse não foi revelado.
A Folha procura o delegado de Alto Piquiri, Jair Pinheiros, desde anteontem. Pinheiros passou a tarde na delegacia de Umuarama, interrogando outros suspeitos de envolvimento. O delegado marcou uma entrevista coletiva para o início da noite de ontem, após o fechamento desta edição.

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