PMs suspeitos de atear fogo em adolescente
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 04 de março de 2004
Luciana Pombo<br>Equipe da Folha 
Curitiba Cinco policiais militares acusados de jogar solvente na roupa de um adolescente de 15 anos e atear fogo no corpo dele estão afastados dos cargos e trabalhando em regime interno no 12º Batalhão de Polícia Militar (PM). Eles estão à disposição do Ministério Público (MP) estadual e são alvo do inquérito policial militar (IPM), que foi aberto no dia 20 de janeiro, um dia após o crime. O caso, porém, só foi divulgado ontem. ''Pedimos o acompanhamento do Ministério Público para que o processo tivesse transparência e lisura total'', disse ontem o tenente-coronel Silvio Sarmento, comandante do batalhão que cuida da Área Central de Curitiba.
Os policiais militares presos trabalhavam no módulo do Largo da Ordem e estavam de plantão no dia do crime. ''Não sabemos ainda se um, dois ou os cinco policiais participaram do fato. As investigações estão em andamento. Foram feitas perícias e tomada de depoimentos. Temos certeza que o caso será completamente esclarecido'', complementou.
O adolescente contou em depoimento que foi preso pelos PMs quando conversava com alguns amigos na rua e teria sido levado para o módulo. Segundo ele, depois de uma discussão, os policiais teriam jogado solvente nas suas roupas e ateado fogo. O adolescente teve mais de 50% do corpo queimado e ainda corre risco de vida. Ele está internado no Hospital Evangélico.
O inquérito tem que ser concluído num prazo de 40 dias, com possibilidade de 20 dias de prorrogação. ''O caso é muito delicado. Temos que analisar os fatos friamente para que os culpados sejam punidos'', disse Sarmento. Se considerados culpados, os PMs poderão ser expulsos da corporação.
A assessoria de imprensa do MP informou que o promotor de Investigações Criminais, Dicesar Augusto Krepsky, não quer falar sobre o caso até que as investigações sejam concluídas.


