PMs serão acusados de homicídio pelo Ministério Público
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 31 de março de 1998
Cristine Pieske 
O Ministério Público irá oferecer amanhã denúncia por homicídio doloso (com intenção de matar) e ocultação de cadáver contra os quatro policiais militares acusados de assassinar dois rapazes evangélicos em Curitiba. Os soldados Siumar Antônio da Silva - que assumiu a autoria dos disparos -, Waldinei Venith, Wilson Bento e Ariel José Farias, todos do 13º Batalhão, serão responsabilizados diretamente pelo crime. Segundo a promotora que acompanha o caso, Rosângela Gaspari, há indícios de que um dos soldados teve participação apenas na ocultação dos cadáveres, que foram jogados na Represa do Passaúna.
Segundo a acusação, os quatro soldados participavam de uma susposta busca a assaltantes de carro no dia 6 de fevereiro, na Vila Conquista, em Curitiba, quando assassinaram Samuel dos Santos, de 19 anos, e Antônio Marcos da Rocha, de 22 anos. Os rapazes estavam rezando e receberam tiros na cabeça e no pescoço. Segundo a versão dos policiais, eles atiraram porque confundiram os rapazes com os assaltantes.
A reconstituição do crime feita pela Promotoria de Investigação Criminal desmontou parte da versão apresentada inicialmente pelos policiais militares. Segundo o soldado Siumar, ele teria atirado a esmo, no escuro, quando percebeu a presença de duas pessoas. Pelo relato do soldado, os tiros também teriam sido dados de uma distância muito grande, o que o impediu de perceber que os rapazes estavam apenas rezando. Pela reconstituição do crime, no entanto, a promotoria identificou que os tiros foram dados de um ponto mais próximo do que o apontado pelo soldado e que o policial fez mira antes de disparar.
O Inquérito Policial Militar (IPM) e as investigações feitas paralelamente pela Polícia Civil, finalizadas no início de março, já haviam confirmado a participação de quatro policiais militares no homicídio. No IPM, entretanto, os soldados Bento, Farias e Waldinei foram indiciados apenas como co-autores do crime. Desde o dia do assassinato, os três soldados estão afastados do serviço externo do 13º Batalhão, cumprindo funções administrativas. Apenas o soldado Siumar, que confessou ter matado os rapazes por engano, está preso no Centro de Triagem.


