PMs são treinados para operação
PUBLICAÇÃO
sábado, 20 de setembro de 1997
Alexandre Sanches Londrina 
Dorico da SilvaSintoniaMaioria das ações da Polícia Militar é determinada pelo Comando Geral em CuritibaA operação de desocupação da Fazenda Nossa Senhora Aparecida, em Alvorada do Sul (68 km ao norte de Londrina), realizada no dia 14 por 100 policiais militares, foi um teste para outras reintegrações de posse de terra no Estado. A Polícia Militar afirma que o efetivo é treinado para todo tipo de operação. Mesmo assim, a primeira reintegração de posse com uso de força policial nos últimos dois anos contou com a participação de vários oficiais.
O medo que pudesse haver confronto levou a PM a trabalhar somente com os Grupos de Operações Especiais (GOE) e tropas de choque, consideradas a elite da Polícia. Uma experiência traumática, ocorrida em novembro de 1995 na Fazenda Saudade, em Santa Isabel do Ivaí (Noroeste do Estado), deixou seis soldados feridos e 15 sem-terra baleados.
Desde então, a cúpula da PM e a Secretaria de Estado da Segurança Pública têm tratado as reintegrações com muita cautela, evitando o uso do efetivo policial. Porém, nas últimas semanas, os ruralistas criticaram a morosidade do governo do Estado no cumprimento das reintegrações de posse, ganhando o apoio da opinião pública. O conflito entre sem-terra e fazendeiros na Fazenda Cordilheira, em Jundiaí do Sul (64 km ao sul de Jacarezinho), no dia 6, bastou para que o governo autorizasse a utilização de força policial.
Oficiais de vários batalhões da PM do Paraná acompanharam, na prática, a retirada dos sem-terra. A utilização de Grupos de Operações Especiais e das Tropas de Choque são rotineiras nestes trabalhos, explica o comandante do 15º Batalhão da PM em Rolândia, tenente-coronel Nelson Correa Ramos.
A maioria das operações executadas pela PM é determinada pelo Comando Geral da PM em Curitiba, em sintonia com a Secretaria de Estado da Segurança Pública. No caso do uso de força policial em reintegração de posse, o comando determina que seja feito um levantamento geral das condições da área, número de pessoas a ser retiradas e a possibilidade ou não de conflito. De posse destes dados, o comando determina quantos homens serão utilizados e quando as ações serão realizadas.
Os soldados já receberam orientações e treinamentos de como se portar numa situação crítica. Evitar o confronto é fundamental. Para isso, escolhemos os melhores homens para estas operações, ressalta Ramos. Em Alvorada do Sul, segundo coronel Ramos, toda a operação foi filmada para que a fita possa ser usada em instruções com novos soldados ou novas desocupações. Oficiais de vários batalhões acompanharam a ação para sintam na prática o que é este trabalho. Além disso, poderão aplicar estas técnicas em seus comandados.


