PMs são os preferidos dos comerciantes
Se a necessidade por segurança aumenta, as empresas do ramo não teriam porquê reclamar da falta de movimento. Entretanto, João Batista Paixão, supervisor da Cobraseg, uma das empresas de segurança mais conhecidas da cidade, diz que a situação não está tão boa assim.
''Existe tanta demanda por segurança na cidade que as empresas não param de aparecer. Só na avenida do nosso escritório, temos cinco empresas do ramo atuando, e uma nova está para se instalar. E estes concorrentes novos dificultam as coisas para quem é tradicional, já que praticamente pagam para trabalhar'', critica Paixão. Ele cita outro problema que, na sua opinião, seria nacional. ''Perdemos clientes de anos por causa de PMs que trabalham como seguranças''', denuncia.
O serviço como segurança nas horas vagas é proibido para policiais militares, mas a própria representante do movimento das esposas de PMs, Vera Rubbo, admite que ''a maioria'' dos 890 oficiais do 5º Batalhão trabalha também nesta função. ''O salário dos policiais está defasado há oito anos, e mesmo este reajuste aprovado pela Assembléia em outubro será apenas uma reposição. É necessário um aumento real, para que os PMs não tenham a necessidade de complementar sua renda'', diz Vera.
O policial Gílson (nome fictício) ganha R$ 3,00 por hora para fazer a segurança de um comércio no centro, três dias por semana, o que lhe proporciona uma renda extra de quase R$ 150 por mês. ''Na PM, como soldado, ganho R$ 750 por mês. Preciso de um dinheiro a mais, porque tenho esposa e três filhos. E a fiscalização está grande, vários conhecidos meus foram expulsos ou suspensos porque faziam o que eu faço. E arrisco a vida duas vezes, como PM e como segurança'', reclama Gílson, que às vezes emenda mais quatro horas de serviço após oito horas de trabalho trajando farda.
O major Devaldir Amadei diz que a proibição do ofício de segurança para PMs parte do comando geral, em Curitiba. ''O policial muitas vezes expõe a si mesmo, e até o nome da corporação, quando desempenha um serviço assim. No ano passado, houve até uma sindicância a respeito de um oficial que se envolveu numa confusão quando trabalhava como segurança numa casa noturna, uma história de tiro pra cima, algo assim. Mas esta é uma questão, assim como a defasagem salarial, que cabe ao comando geral. Ninguém está impedido de fazer um bico em outra área, como marceneiro, pedreiro'', explica.
Para pequenos comerciantes, a opção de contratar um PM como segurança é irresistível. O comerciante Osvaldo (nome fictício), dono de um mini-mercado na zona norte de Londrina, paga R$ 5 por hora para que um policial militar faça a segurança de seu estabelecimento, enquanto empresas de segurança da cidade cobram na faixa de R$ 9,50 por hora pelo mesmo serviço.
''Tinha sido assaltado cinco vezes antes de contratar o PM. O policial é perfeito para fazer segurança, porque conhece as ruas, a realidade, sabe como agir. Em países da Europa, é permitido que um oficial de polícia trabalhe como segurança nas horas vagas, desde que use farda. Essa idéia é ótima: imagine, um PM fardado na porta do meu estabelecimento, ele serviria para intimidar a ação de assaltantes nos comércios vizinhos também'', diz Osvaldo, que completa: ''O PM que faz bico como segurança está dando prova de honestidade. Ele poderia estar por aí, fazendo alguma besteira''.





