A morte do policial civil Flávio Maria Prado, 48 anos, pode deixar ainda mais frágil a relação entre as polícias Civil e Militar. Ontem, a Delegacia de Homicídios, de Curitiba, abriu um processo para investigar o possível assassinato de Prado pelos policiais militares Elias José da Silva e Renildo Teixeira Cardoso.
De acordo com familiares, Prado morreu, ontem, vítima de agressões causadas por escapamentos. Para hoje, durante o enterro do policial previsto para acontecer às 14 horas, no Cemitério do Água Verde, em Curitiba , o Sindicato das Classes Policiais do Paraná (Sinclapol) pretende realizar um protesto, pedindo justiça. ''Em um mês é a tericeira agressão da PM contra policial'', reclamou Luiz Bordenowski, presidente da Sinclapol.
Segundo o investigador Reginaldo Moreira, parceiro de Flávio Prado, o policial morreu em função de má prática de integrantes da Polícia Militar. O policial civil estava em um bar no bairro Tatuquara, no dia 21 de novembro, bebendo, quando os militares Elias da Silva e Renildo Cardoso entraram no estabelecimento para uma blitz. ''E porque Flávio era negro foi a primeira pessoa a ser parada'', disse.
Ao apresentar suas credenciais, na versão da família, os policiais militares duvidaram da autenticidade, alegando que ele tinha falsificado os documentos. Prado tentou argumentar, mas foi algemado e um dos policiais militares acabou disparando na barriga de Flávio Prado.
O policial civil foi levado para o 13º Batalhão da Polícia Militar. Lá teria sido agredido. Depois, foi encaminhado para o Centro de Operações Policiais Especiais (Cope) para depois ser levado a um distrito policial. ''Ele morreu por ruptura dos órgãos internos, que podem ter sido causados por pontapés'', disse o investigador Reginaldo Moreira.
No entanto, o comandante do 13º Batalhão da Polícia Militar, tenente-coronel Davi Antônio Pancoti, disse que os policiais teriam seguido o que estabelece o regulamento. Independetemente disso, Pancoti determinou abertura de inquérito policial, que deve ser concluído em 40 dias.
Mas o filho do policial assassinado, Flávio Prado Filho, disse que quer o processo realmente finalize. ''Meu pai jamais agrediu ninguém, em 30 anos como policial'', disse. O filho conta que seu pai iria pedir este ano a sua aposentadoria da Polícia Civil.

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