PMs são acusados de furto de carros
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 17 de março de 1998
Lucinéia Parra 
Marcos Negrini
PresosComando do 4º BPM anuncia prisão de Carlos Alves, José Berto, Adelino de Moraes e Paulo de Lima (foto inferior)
Quatro policiais militares lotados no 4º Batalhão da Polícia Militar de Maringá foram presos sob a acusação de integrarem uma quadrilha de furto de carros. Três deles foram presos no sábado e o chefe da quadrilha na região foi preso ontem. A detenção dos quatro acusados foi feita pelo grupo Águia, da PM, e por policiais da Polícia Reservada (P2) do 4º BPM. Para chegar até a quadrilha, a Polícia Militar iniciou investigação há seis meses.
Os quatro policiais presos são o soldado Carlos Osmar Alves; soldado Adelino Gomes de Moraes; soldado José Berto da Silva Filho e o sargento, Paulo Lucas de Lima. O soldado Alves é acusado de ser o chefe da quadrilha. Era ele, segundo a PM, o responsável pela contratação dos demais policiais para levar os carros furtados até o Paraguai.
A quadrilha, segundo o comandante do 4º BPM, tenente-coronel Alberto Augusto da Silva, é responsável pelo furto de cerca de 30 carros nacionais e importados nos últimos seis meses. Os carros foram furtados no Paraná, São Paulo e Mato Grosso do Sul e levados para o Paraguai, onde eram vendidos por cerca de R$ 4 mil. O policial contratado para levar o carro até o Paraguai recebia em média R$ 300,00. O restante do dinheiro ficava com o chefe da quadrilha.
Segundo o comandante do 4º BPM, há suspeita de que a quadrilha aplicava o chamado golpe do seguro. Praticamente todos os carros furtados têm seguro, informou Silva. Ele acredita que os donos dos veículos podem estar envolvidos com a quadrilha. A suspeita será investigada pela Polícia Civil, que abriu inquérito para apurar as denúncias.
Os quatro policiais prestaram depoimentos ontem de manhã na Delegacia de Maringá. Eles serão transferidos para o Quartel da PM em Curitiba, onde vão responder processo administrativo. Eles deverão responder o processo administrativo e ser expulsos da PM, disse o comandante.
Os quatro policiais ingressaram na Polícia Militar há mais de 10 anos. O comando da PM em Maringá não forneceu detalhes sobre como foram as investigações para chegar aos policiais presos, mas garantiu que foi através de denúncias. O padrão de vida dos quatro policiais, elevado em relação aos que ganham como PMs, teria despertado suspeita sobre eles.
Dez policiais da P2 participaram das investigações em Maringá. O sargento, Paulo Lucas de Lima e os soldados José Berto da Silva Neto e Adelino Gomes de Moraes foram presos no sábado. Eles denunciaram o soldado Carlos Osmar Alves, acusando-o de ser o chefe da quadrilha.


