A família do carregador da Central de Abastecimento de Londrina (Ceasa), Jamys Smith da Silva, 20 anos, acusa policiais do 5º Batalhão da Polícia Militar de tê-lo espancado até a morte na madrugada de ontem, no Jardim Santa Fé, Zona Leste. O rapaz estava promovendo uma festa na sua casa, na Rua Nirton Onofre Barion, e o motivo do espancamento teria começado por causa do som alto.
De acordo com a tia do rapaz, Neusa Elizabete Romanholi, 42 anos, que presenciou o espancamento, Jamys foi jogado dentro da viatura da PM desmaiado, ''como um porco''. ''Chegaram a levá-lo até o PAM (Pronto Atendimento), mas ele chegou morto'', contou Neusa, que trabalha como faxineira. Ela não pôde interferir na hora que viu o sobrinho sendo espancado porque um dos policiais ficou mirando uma escopeta calibre 12 em sua direção. ''Não pude fazer nada'', conta ela, indignada com a ação policial.
De acordo com Neusa, dois policiais chegaram ao bairro por volta da 1 hora da madrugada, pedindo para baixar o som. ''Os rapazes já estavam alegres, tinham bebido um pouco, mas não estavam embriagados. Eles falaram que não iam baixar porque não era rap que estava tocando. Jamys ergueu ainda mais o som e os rapazes que estavam na festa xingaram os policiais, que pediram reforço ao comando'', contou Neusa. Quando os demais policiais chegaram, a confusão começou para valer. Segundo Neusa, um policial falou: ''Esse é o neguinho folgado'', no momento em que os policiais entraram na casa de Jamys e chutaram a caixa de som. ''Depois, pegaram James na rua e fizeram uma roda. Jamys ficou no meio. Eles batiam e jogavam o menino contra o muro'', relatou a tia, que espera que o comando do 5º Batalhão tome alguma medida contra os policiais. ''O medo fala mais alto, então não vamos fazer nada, vamos deixar para a corporação fazer alguma coisa com esses policiais.
Pelo menos quatro PMs teriam participado do espancamento, sendo que dois foram mais agressivos, informou Neusa. Ela não soube dizer o nome deles. ''A agressividade de um policial foi tanta que o cassetete chegou a quebrar ao meio. Um policial também me empurrou e cheguei a cair no chão. Meu celular foi parar longe e meu pulso ficou aberto. Depois de bater bastante, eles viram que Jamys desmaiou e um policial falou: 'Bate na cara que ele acorda'. Jogaram ele na viatura como se fosse um porco'', contou a tia.
Segundo ela, Jamys era muito festeiro, bagunceiro, mas nunca teve passagens pela Polícia. ''Ele trabalhava, tinha um filho de seis meses e era muito alegre, gostava muito de festa. Era um neguinho da hora, como dizem por aí'', contou a tia, emocionada. Assim que os policiais saíram com Jamys na viatura, os familiares foram até a 10 Subdivisão Policial e tiveram a informação que o jovem tinha sido levado para o Hospital Universitário, depois tiveram a informação que ele estava no Pronto Atendimento Municipal (PAM). ''Quando chegamos no PAM, ele já estava morto dentro da viatura'', relatou Neusa, que acha que Jamys ainda não estava morto quando saiu do bairro. ''Acho que ele morreu por ter ficado uns 40 minutos dentro da viatura sem atendimento''. A mãe do rapaz não estava em condições de dar entrevista e aguardava o corpo ser liberado do Instituto Médico Legal (IML) no início da tarde de ontem.

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