Dimitri do Valle
De Curitiba
A partir de hoje os policiais militares do Estado ficam impedidos de falar à imprensa durante o andamento das ocorrências. A medida foi baixada ontem pelo comandante geral da PM, coronel Guaraci Moraes Barros. A ordem é para que as informações sejam prestadas pelos comandantes dos batalhões e companhias ou as seções de comunição social da corporação. O comando negou que a nova diretriz tenha relações com os incidentes registrados no sábado. O repórter Edson Thomaz, da Rádio Clube, foi agredido por PMs que participavam da retirada dos sem terra da Praça Nossa Senhora de Salete, em Curitiba.
A centralização das informações vai priorizar casos de grande repercussão como homicídios, assaltos e prisões de traficantes. ‘‘Nas ocorrências de vulto, o PM deve passar o que aconteceu à P-5 (setor de comunição) ou ao comandante da unidade’’, disse o chefe do Estado Maior da PM, coronel Sanderson Diotalevi.
Ele descartou que o episódio envolvendo Thomaz tivesse precipitado a adoção da medida. ‘‘Isso já vinha caminhando normalmente. Está dentro de um projeto conjunto estabelecido pela Secretaria de Segurança Pública’’, disse. Sanderson acrescentou ainda que o comando não quer proibir os policiais de falarem com os jornalistas. ‘‘Longe disso, queremos é transparência e evitar a divulgação de informações distorcidas’’, afirmou.
A idéia também é montar uma sala de imprensa em Curitiba que una as informações das polícias Civil e Militar. A localização ainda não está definida. O coronel Guaraci Moraes Barros ressaltou que não está ‘‘cerceando o trabalho de ninguém’’. ‘‘Hoje na PM existem informações contraditórias. Queremos redirecionar a forma de nos comportar’’, acrescentou. Barros explicou que em muitos casos, policiais sem conhecimento de ações da corporação davam informações erradas. ‘‘Havia policiais que tocavam em assuntos de estratégia policial sem saber. Quem fala da parte operacional é o comandante’’, declarou.

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