As mulheres de policiais militares, acampadas desde a noite de domingo nas entradas do quartel do Comando Geral e do setor de abastecimento de viaturas da PM, em Curitiba, garantem que não irão desocupar o local enquanto o governo não responder à principal reivindicação: o fim das punições aos militares que participaram da greve encerrada no último dia 21 de maio. As mulheres garantem que o movimento é pacífico, e que também serve como lembrete do término do prazo para que o governo apresente proposta de aumento salarial para a categoria.
Segundo as mulheres acampadas, termina no próximo sábado o prazo para que o governador Jaime Lerner se manifeste sobre o aumento de 38% nos salários dos praças, soldados, cabos, sargentos e tenentes da PM, reivindicação feita durante os protestos em maio. Em nota oficial enviada pela Secretaria de Comunicação, o governo voltou a usar a Lei de Responsabilidade Fiscal como barreira que impede de atender à reinvindicação.
Na nota, o governo afirma que ‘‘superadas as limitações financeiras, permanece à disposição para o diálogo construtivo’’. Informa também que a média salarial da PM teve uma evolução de 116% nos últimos seis anos. Segundo o governo, o salário médio da PM hoje é de R$ 1.050,53. O valor é contestado pelas mulheres.
Segundo Sônia, que preferiu não divulgar seu nome completo por medo de represálias, o marido, que trabalha há 20 anos na PM e atua como 2º sargento, recebe cerca de R$ 950,00 bruto. Célia Araujo, apontada como uma das líderes do movimento, também constesta os números divulgados pelo governo. ‘‘A média salarial é de R$ 600,00.’’
Célia garante que o movimento iniciado há três dias não vai impedir a saída dos policiais às ruas. Pelo menos até o próximo dia 21, quando acaba o prazo para o governo se manifestar sobre a situação salarial e trabalhista dos policiais. ‘‘Se ele (o governo) não atender nossas reivindicações, não vai ter policiamento’’, avisa. Hoje o movimento deve receber reforço de mulheres de PM de Cascavel, Ponta Grosa, Rio Negro e Foz do Iguaçu.
Na nota oficial, o governo não se manifestou sobre as punições aos policiais que participam da última greve. Segundo as manifestantes, quase 500 policiais estariam sofrendo punições em todo o Estado. O tenente Assunção, do Comando Geral da PM declarou à reportagem da Folha que‘‘supõe que essas punições teriam acontecido’’, mas que estariam respaldadas pelo departamento jurídico. Assunção também não quis divulgar seu nome completo.
Protesto em Curitiba também causou movimentação em Londrina e Guarapuava (leia mais na página 2).

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