PMs prestam depoimento em inquérito
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quarta-feira, 03 de março de 1999
Paulo Ubiratan 
O delegado-adjunto da 10ª Subdivisão Policial de Londrina, Acácio Azevedo, responsável pelo inquérito que apura a denúncia de extorsão contra três policiais civis, ouviu ontem à tarde o tenente da Polícia Militar Nelson Vila Junior e o sargento Antônio Carlos Félix. Os militares pertencem ao pelotão de choque do 5º Batalhão da PM e foram ouvidos nas dependência do 4º Distrito Policial (DP).
Segundo Acácio, o tenente Vila foi quem instruiu a denunciante Elizabeth Moraes Machado a procurar a Promotoria de Investigações Criminais (PIC) e a gravar a conversa telefônica que manteve com um dos acusados, o escrivão do 2º DP José Antônio Alves Camargo. Os outros policiais denunciados são os investigadores Robson Avancini e Daniel Pinto de Camargo.
O delegado Acácio disse que não poderia falar mais nada à imprensa sobre o que ouviu dos dois militares, porque atrapalharia os depoimentos dos acusados Daniel Pinto e Camargo, que serão ouvidos hoje às 9 horas. Além do delegado, acompanharam os depoimentos dos policiais militares a promotora Solange Vicentin e os advogados de defesa João dos Santos Gomes Filho e José Amaro. Os policiais civis acusados estão presos preventivamente por ordem do juiz da 5ª Vara Criminal, José Roberto Pinto, na sede do Instituto de Criminalística, centro de Londrina.
A gravação da conversa por telefone em que Camargo teria exigido R$ 4 mil de Elizabeth para não indiciá-la em inquérito e liberar seu Gol, que estava com o chassi remarcado, fundamentou as denúncias contra os policiais. O Instituto de Criminalística, após concluir perícia no veículo, confirmou que o carro estava realmente remarcado e havia sido roubado na cidade paulista de Guarulhos.
Na ocasião da suposta tentativa de extorsão, os investigadores Avancini e Daniel foram até a casa de Elizabeth, onde a teriam ameçado e apreendido o Gol. Ela disse ter comprado o carro de boa-fé. No ano passado, Elizabeth esteve envolvida na compra de um outro Gol, roubado em São Paulo. Ela alegou ao delegado do setor de roubos e furtos que também havia comprado o carro sem saber que era furtado.
A Folha apurou que o sargento Félix, em seu depoimento, disse que Elizabeth era casada com o ladrão Robson Henrique de Carvalho, conhecido por Lobão. Ele relatou que teria conhecido a denunciante quando fazia investigações para prender Lobão, que era fugitivo da Justiça e foi morto a tiros pelo pelotão de choque. O tiroteio ocorreu em uma casa no Parque das Indústrias, na zona sul de Londrina.


