Alexandre Sanches
Enviado a Jataizinho
O vereador Maurílio Martielio (PFL), de Jataizinho (25 km a leste de Londrina), foi detido ontem por volta das 12h30 pela Polícia Militar por causa de uma multa de trânsito. Bidu, como é conhecido na cidade, foi autuado em flagrante por desacato a autoridade, desobediência e resistência à prisão. O carro que estava sendo multado por estar estacionado em frente a uma guia rebaixada na Avenida Carmelo Dutra, no centro da cidade, era de um conhecido, e não dele.
De acordo com a queixa dos policiais José Antônio Pelacini e Paulo Geovane Clarimundo na delegacia, eles estavam fiscalizando e multando os carros em situação irregular quando Martielio foi até eles e passou a questionar o trabalho e a ofendê-los. ‘‘Diante das ofensas, demos voz de prisão. Ele passou a nos agredir e até destruiu o bloco de multas’’, afirmou Pelacini, que sofreu um arranhão no braço.
O carro que seria multado era a picape Silverado do empresário Carlos Alberto Contato, que acabou sendo testemunha do auto de infração. Diante da confusão armada por Martielio, a multa não foi aplicada.
O comandante do destacamento da PM em Jataizinho, sargento Sanderson Cavalcanti dos Santos, disse que o vereador só se acalmou quando ele chegou ao local. Acompanhados do comandante da 3ª Companhia da PM, capitão Fábio Luiz Rincoski, os policiais foram encaminhados para realizar exames de lesões corporais.
Segundo o delegado José Antônio Zuba de Oliva, Martielio se reservou o direito de falar somente em juízo justamente porque estava exaltado. ‘‘Para mim, não interessa se ele é vereador ou não. Se houve a desobediência da lei, vai pagar pelo que fez’’, salientou. Por conta disso, arbitrou fiança de R$ 50,00 e liberou o vereador para responder processo em liberdade.
No meio da tarde, Martielio retornou à delegacia para entregar alguns documentos ao delegado, entre eles o exame de sangue. ‘‘Fiz o exame para provar que não estava alcoolizado, como os policiais me acusaram’’, argumentou. Ele negou ter ofendido os policiais. ‘‘Estava conversando com um amigo que havia sido multado pelos policiais quando os vi aplicando nova multa. Fui até lá e questionei’’, justificou.
Ele disse que ficou irritado com a voz de prisão. ‘‘Eu resisti à prisão, mas não toquei no bloco de multas como estão me acusando. Podem fazer exame de impressão digital’’. Martielio garante que vai até o final do processo para provar que não estava errado ao questionar os policiais. ‘‘Eles é que estão usando do poder’’, desabafou.
Ontem, o delegado ouviu algumas testemunhas e o inquérito deve ser enviado à Justiça nos próximos dias. Se for condenado por resistência à prisão, o vereador poderá pegar uma pena de reclusão de um a três anos. Por desobediência, a pena varia de 15 dias a seis meses de reclusão. O crime de desacato vai de seis meses a 2 anos de reclusão.Maurílio Martielio foi autuado em flagrante porque tentou impedir a aplicação de uma multa de trânsito a um conhecido
Mário CésarConfusão no trânsitoPoliciais acusam Martielio de ofensa e de ter rasgado o bloco de multa, além de resistir à prisão. Vereador foi liberado após pagar fiança de R$ 50,00 e responderá processo em liberdade

mockup