PMs negam agressão contra Jamys
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quarta-feira, 06 de julho de 2005
Luciano Augusto<br> Reportagem Local 
Os quatro policiais militares acusados de homicídio duplamente qualificado do carregador Jamys Smith da Silva, 20 anos, foram ouvidos pela primeira vez ontem na Justiça Comum em Londrina. Nenhum deles assumiu a autoria das agressões que provocaram a morte nem o uso do bastão de madeira que foi encontrado quebrado no local. Apenas o soldado Juliano Ferraz Dias admitiu ter tido contato físico com o carregador e que o policial Marco Aurélio da Silva Barbosa teria chutado o rapaz quando ele estava no chão.
Jamys morreu no dia 14 de maio deste ano em decorrência de hemorragia interna provocada por espancamento. Os PMs Dias, Barbosa, Sérgio Marcelo Souza Pinto e Jhanivaldo Zanin foram apontados como os autores da agressão e estão presos à espera do julgamento. O crime ocorreu porque o carregador teria se recusado a baixar o volume do aparelho de som em sua casa, no Jardim Santa Fé (Zona Leste). Teria havido uma confusão e Jamys foi agredido e morto.
Primeiro a depor, Zanin disse que deu apoio à primeira equipe que chegou ao local e que não agrediu Jamys, pois sua preocupação foi proteger a viatura. Questionado pelo Ministério Público de que em depoimento do dia 23 de maio teria dito que presenciou a agressão de Souza Pinto e Barbosa contra a vítima, ele não confirmou tal versão. ''Colocaram palavras na minha boca para que eu dissesse.'' Zanin revelou que manteve contato com os demais acusados após ser preso. Seu advogado, Omar Salle, ingressou com recurso pedindo sua liberação.
Dias afirmou que durante a confusão foi alertado por Barbosa de que Jamys poderia agredí-lo e que teve contato físico com o carregador até conseguir imobilizá-lo. Com a vítima no chão, atestou, Barbosa teria se aproximado e desferido um chute contra Jamys. Depois disso, Dias disse que saiu do local para dar apoio a Zanin nas proximidades de um bar. José Amaro, que defende Dias, não falou com a imprensa.
Barbosa confirmou seus outros depoimentos e que estava na primeira viatura que chegou no bairro. Com 20 anos de profissão, o PM disse que a confusão teria começado quando um rapaz teria tentado agredí-lo com uma panela de pressão e ele o empurrou. Precisou chamar reforço mas permaneceu do lado de fora da casa de Jamys. Garantiu que em nenhum momento agrediu a vítima. Barbosa apontou que o carregador estava sentado no chão próximo à viatura e teria passado mal quando era conduzido para a delegacia. Por isso, ele teria sido levado até o Pronto-Atendimento municipal (PAM), onde já chegou morto. Seu advogado, José Brandão, também não atendeu os jornalistas.
Por fim, Souza Pinto declarou não ter presenciado a agressão pois teria entrado na casa para capturar um terceiro rapaz que havia atirado uma garrafa contra sua viatura. Viu apenas alguém ser colocado no camburão para ser encaminhado até a delegacia. No caminho, essa pessoa teria começado a sufocar e ele, então, se dirigiu até o PAM. Seu advogado, Walter Bittar, destacou que até o momento ''não se verifica um possível participação'' de seu cliente no crime.


