PMs moram em escolas e aumentam segurança
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terça-feira, 01 de julho de 2003
Adriana Savicki<br>Reportagem Local 
O projeto do governo do Estado, divulgado na segunda-feira, de coibir arrombamentos com a construção de casas para serem ocupadas por um policial militar (PM) já acontece em algumas das 126 escolas estaduais de Londrina. Das 32 moradias construídas dentro de escolas, 12 são ocupadas por PMs e suas famílias. As experiências mostram que a iniciativa dá resultados positivos.
A casa da Escola Professora Célia Moraes de Oliveira, no Jardim Ideal (zona leste), é ocupada por PMs há cerca de cinco anos. Segundo a diretora Ana Felícia Bittencourtt, apesar de o estabelecimento nunca ter tido um histórico de roubo e violência, a presença do policial ajuda a manter a ordem. ''Os alunos se sentem mais seguros, o policial impõe respeito, não há dúvida'', diz. Nos últimos 12 anos, não foram registrados arrombamentos ou vandalismos. ''Mas há uma série de fatores que ajudam a compor esse quadro, como a própria postura da escola.''
No outro extremo da cidade, a vizinhança do Colégio Polivalente, no Jardim Santa Rita (zona oeste), não é tão tranquila. Lá, a opção pelos PMs foi adotada há cerca de três anos. ''Houve uma melhora muito grande e caiu bastante o número de arrombamentos, mas mesmo assim, tivemos um no ano passado'', diz o diretor Ney Mezzandri, que aponta o tamanho da escola são 20 mil metros quadrados de terreno como fator de risco.
Segundo o diretor, a principal vantagem de ter um policial como ''caseiro'' é que, ao contrário de outros funcionários, eles têm treinamento específico para lidar com problemas de segurança. ''Até na hora de dar alguma orientação é melhor do que tratar com um leigo.''
O policial que mora na escola, João Babugia, é um ex-aluno do Polivalente. ''Estudei aqui e moro na região há 30 anos, agora meu filho estuda na escola e minha mulher está na associação de pais e mestres; para mim a solução foi ótima'', comenta o soldado.
Os policiais que moram nessas casas não pagam aluguel e são isentos das taxas energia elétrica e água, quitadas pela escola. Para o soldado Jhanivaldo Zanin ''vizinho'' da escola Moraes de Oliveira há um ano e meio , a economia foi o que falou mais forte. ''Economizo uns R$ 350 por mês, dinheiro que estou usando para pagar dívidas que contraí quando pagava aluguel.''
Zanin já pegou um rapaz com drogas em frente ao colégio e perdeu a conta de quantas brigas já impediu de acontecer. Para o policial, a única desvantagem do acordo é a necessidade de estar sempre em casa nos horários que a escola não funciona, inclusive finais de semana. ''Se não fico eu, fica a minha esposa, não podemos deixar a escola descoberta.''
Segundo o setor de Recursos Humanos do Núcleo Regional de Educação de Londrina, as demais moradias construídas dentro das escolas são ocupadas por funcionários da própria instituição, como zeladoras ou auxiliares. A preferência, contudo, é sempre dos PMs.
O projeto Casa do Zelador prevê a construção de 400 casas ainda este ano, a maioria em grandes cidades. No estado existem 2.054 escolas.


