PMs matam presos em tentativa de fuga
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quinta-feira, 16 de janeiro de 1997
Montezuma Cruz Sucursal de Foz do Iguaçu 
Soldados da Polícia Militar mataram a tiros de revólver, ontem à tarde, os detentos Antonio Kleba Cabral, de 21 anos, e Cleverson Chuviesiski, 20, ao flagrá-los tentanto fugir do Minipresídio de Segurança, o cadeião, no Bairro Três Lagoas (a 15 quilômetros do centro de Foz do Iguaçu).
Por volta de 14h30, depois de escapar das alas A e B do presídio, eles começavam a descer por terezas (cordas feitas com lençol) sobre os rolos de arame farpado, durante o banho de sol.
Segundo outros presos, os policiais atiraram antes que eles chegassem no chão. Antonio tinha uma faca no bolso.
A polícia civil abrirá inquérito para apurar a fuga e a atitude dos soldados motivará a abertura de um inquérito policial militar, segundo o comando do 14º Batalhão da PM em Foz.
Antonio, que cumpria pena por homicídio, foi atingido na altura do abdômen e morreu na hora. Cleverson, condenado por furto de carro, foi levado pelo Siate à UTI da Santa Casa Monsenhor Guilherme, onde morreu uma hora depois. Um tiro na cabeça destrui-lhe parte da massa encefálica.
Clima tensoPelo resto da tarde, o clima ficou tenso entre os detentos, informou à Folha a chefia de carceragem. Não foi revelado o calibre das armas que disparam contra eles. Somente hoje, o Instituto Médico-Legal divulgará o exame cadavérico.
A insegurança e o excesso de presos são dois dos mais graves problemas no presídio inaugurado pelo então governador, Roberto Requião, em 1994.
Ele foi construído com recursos do governo estadual e do Conselho Comunitário local. Poucos guardas trabalham ali. As instalações deixam a desejar.
A área nem sequer tem cerca adequada. Desde 95 o Conselho Comunitário de Segurança reivindica do governo que a Secretaria de Justiça assuma o presídio e pede ao Poder Judiciário a instalação de Varas de Execução Penal.
A lotação também assusta: há cerca de 280 detentos, enquanto normalmente poderiam ser atendidos no máximo 200.


