PMs londrinenses acusados e presos por extorsão
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domingo, 24 de junho de 2007
Wilhan Santin<br>Reportagem Local 
Dois policiais militares, um cabo e um soldado, que trabalhavam na patrulha da Zona Norte da cidade foram presos em flagrante, na noite de sábado, dia 23, acusados de extorquir uma estudante de apenas 14 anos.
A prisão aconteceu depois que o advogado da adolescente, Luiz Tavanaro Gaya, a levou ao 5º Batalhão de Polícia Militar (5º BPM), no início da noite do dia da prisão, para denunciar a chantagem que sua cliente estava sofrendo desde a última sexta-feira.
Segundo a garota, tudo começou quando ela e seu namorado, Everton Sandro Cardoso, 19, foram abordados pelos policiais, no início da tarde do dia 22, e levados para uma área rural, nas proximidades da empresa Dixie Toga (Zona Norte). ''Eles pediam que entregássemos drogas ou dinheiro, falaram em R$ 300. Levaram meu namorado para fora da viatura, enquanto eu fiquei no carro. Um dos policiais, o soldado, veio até mim e abaixou minha blusa. Reagi. Meu namorado também protestou, mas eles disseram que não adiantava, pois não havia testemunhas ali, porém, não fizeram nada além disso'', relatou.
Na noite de sexta-feira, Everton Cardoso havia sido preso por outros policiais portando maconha e dinheiro trocado. Então, ainda de acordo com a estudante, a família decidiu contratar um advogado para defender o jovem. ''Para ajudar a mãe do meu namorado a pagar o advogado, providenciei R$ 300. Quando estava indo levar o dinheiro até a casa dela, por volta das 13h30 de sábado, fui abordada novamente pelos policiais que haviam nos levado para a área rural no dia anterior. Eles tiraram o dinheiro do meu bolso e exigiram que eu arrumasse mais R$ 200. Também me ameaçaram, dizendo que se eu não fizesse o que estavam pedindo, colocariam drogas em mim (sic) e me prenderiam por tráfico'', acusou a adolescente, que afirma existir uma testemunha que pode confirmar que prealmente aconteceu a entrega de dinheiro aos policiais na tarde de sábado.
''Diante de todas essas ameaças, a família me contratou'', revelou Gaya. ''Dessa forma, resolvi comparecer ao 5º BPM, acompanhado da minha cliente, para denunciar os fatos. Fui atendido prontamente pelo comandante da instituição, Luiz Carlos Menezes Deliberador, que tomou medidas para prender os policiais'', acrescentou o advogado.
O próprio advogado entregou R$ 35 para a estudante, que posteriormente daria aos PM's que a ameaçavam. Porém, Gaya providenciou cópias das cédulas, por meio de máquina fotocopiadora, para ter como provar que o dinheiro posteriormente encontrado dentro da viatura havia sido tomado da adolescente.
Dessa forma, já na noite de sábado, ela foi abordada mais uma vez pelos policiais. A menina entregou os R$ 35 e ficou de arrumar o restante até o fim da noite. Quando a viatura se retirou, ela acionou a Polícia pelo telefone 181 - como já havia sido combinado anteriormente com o tenente-coronel Deliberador - e homens do serviço reservado da PM (P2) e do Pelotão de Choque abordaram a viatura em que estavam os acusados e encontraram, no interior do veículo, as cédulas que haviam sido previamente copiadas pelo advogado.
De acordo com o capitão Marcos Koch, foi feito todo o procedimento de flagrante que será comunicado ao juiz auditor militar. Os acusados responderão a um inquérito policial militar e podem ser expulsos da coorporação. ''Ainda não existe a culpabilidade. Mas não podemos admitir casos como esse, pois mancham a imagem de uma instituição de 152 anos'', desabafou o capitão.
Em nota oficial, o comando do 5º Batalhão fez o seguinte relato à FOLHA: ''Apenas cumprimos o que determina a legislação, pois esse tipo de acontecimento não é a orientação que preconizamos aos nossos policiais. Agimos prontamente e agiremos sempre dessa forma em qualquer caso semelhante''.
A PM não revelou a identidade dos acusados, os quais não quiseram conversar com a reportagem. Eles estão presos no 5º BPM à disposição da Justiça Militar.


