O Comando do Policiamento da Capital abriu inquérito para apurar denúncias de que policiais militares teriam tentado extorquir motoristas de táxis e lojistas do Aeroporto Internacional Afonso Pena, em São José dos Pinhais. As denúncias envolvem três policiais que foram afastados do trabalho e estão realizando serviços internos no quartel do Batalhão de Polícia de Trânsito (BPTran) de Curitiba. O inquérito foi instaurado dia 5 e tem prazo de 30 dias para ser concluído.
A denúncia, encaminhada pelo 1º sargento PM Marcos Aurélio Motta ao tenente-coronel Antonio de Paula Ribas, chefe da comunicação social da Polícia Militar, dá conta de que PMs do Batalhão de Trânsito de São José dos Pinhais teriam exigido de motoristas de táxi que fazem ponto no aeroporto uma ‘‘caixinha’’ mensal de R$ 100,00 para que não fossem multados.
A denúncia acusa os PMs de omissão durante um caso de furto no aeroporto e recomenda o cancelamento de quatro multas de trânsito, ‘‘tendo em vista serem fruto de represálias, o que certamente denegriu a imagem da corporação’’.
O relatório do sargento indica também que funcionários de uma livraria instalada no aeroporto teriam sido pressionados a fornecer gratuitamente jornais e revistas aos policiais, sob ameaça de que os veículos da empresa seriam multados durante o descarregamento de mercadorias na loja.
Uma funcionária da livraria confirma a intimidação. ‘‘Nosso motorista acabou entregando revistas a um dos PMs, que ainda perguntou se não tinha nada mais interessante para oferecer’’, afirma. Ela prefere não se identificar, alegando temer represálias. ‘‘Acabei discutindo com ele (um dos PMs) e levei duas multas de trânsito injustamente’’, completa.
Segundo ela, o problema ocorreu em agosto, logo após a inauguração do aeroporto. ‘‘As áreas de carga e descarga não estavam bem definidas e ele (o PM), em vez de orientar os motoristas para estacionar no lugar certo, deixava estacionar no lugar errado mas queria receber algo em troca’’. ‘‘Não eram todos os PMs que trabalhavam aqui que faziam isso, mas tinha um que era terrível’’, lembra, sem citar nomes.
Os três PMs acusados pertencem ao BPTran de Curitiba e estavam cedidos ao 17º Batalhão em São José dos Pinhais. A apuração das possíveis irregularidades está sendo feita pelo BPTran, informa o capitão Enéas, vice-comandante do Batalhão. ‘‘Todas as providências foram tomadas e eles estão realizando serviços internos no quartel’’, diz o capitão.

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