Uma fonte do poder Judiciário paranaense confirmou ontem à Folha que o empresário Joni Rodrigues, que está sendo procurado por crime de estelionato, recebia proteção de policiais do serviço reservado da PM. Agentes da P-2 trabalhavam como seguranças de Rodrigues na sua revenda de automóveis no bairro Uberaba, em Curitiba.
Na Delegacia de Crimes contra a Administração Pública, há um inquérito policial para apurar uma confusão envolvendo agentes da P-2 e investigadores da Polícia Civil lotados na delegacia que estavam de campana nas proximidades da empresa de Joni. Nos desentendimentos ocorridos há dois meses entre policiais das duas corporações, um grupo de pelo menos três agentes da P-2 abordaram com metralhadoras uma equipe de investigadores que estavam num carro descaracterizado. O entrevero resultou na instauração de um inquérito policial por usurpação de função pública e abuso de autoridade. ‘‘A P-2 não pode fazer investigação’’, disse o delegado Lúcio Lugli, que preside o inquérito policial.
A informação de que PMs trabalhavam como seguranças de Rodrigues derruba parte da versão dada pelo comando da Polícia Militar na edição de ontem deste jornal negando o envolvimento da P-2 com o estelionatário. Policiais militares que compravam veículos de Joni Rodrigues e ficavam endividados chegavam a ter os carros retidos por agentes que supostamente cumpriam ordem de oficiais do alto escalão da corporação.
A Folha mostrou na edição de ontem imagens de Joni Rodrigues numa churrascada reservada a oficiais da PM em instalações do Regimento de Cavalaria em setembro do ano passado. Um dos oficiais presentes era o chefe do comando do Policiamento da Capital (CPC), coronel Justino Henrique de Sampaio Filho. O evento era uma homenagem ao deputado e presidente da Assembléia Aníbal Khury (PFL).
Joni Rodrigues e a mulher, Rosângela Abusio Rodrigues, respondem a inquérito na Delegacia de Crimes contra o Patrimônio por sonegação fiscal. Segundo o delegado Lúcio Lugli, a Receita Estadual o multou em R$ 135 mil. ‘‘Ele não tirava nota fiscal de nada, mas tinha o pátio lotado de veículos’’, disse o delegado. O casal teve prisão preventiva solicitada pelo delegado Adão Edson Rolim, da Delegacia de Defesa do Consumidor, na semana passada. Na Delcon, há outros dois inquéritos contra Joni e Rosângela por estelionato e evasão fiscal. Ambos estão desaparecidos.
Eles também são acusados de lesar proprietários de automóveis do interior do Estado.
O empresário comprava os carros com valor 30% acima do mercado, negociava a transfência do veículo e pagava com cheques sem fundos. A PM tem uma mandado de prisão expedido pela Justiça de Marília, onde Rodrigues foi condenado a dois anos e oito meses de prisão por crime de estelionato. O comando alega que só ficou sabendo que ele era foragido da Justiça quando os problemas de policiais endividados vieram à tona a partir de fevereiro.

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