Um policial mais humano, com uma imagem menos sisuda e mais simpática perante a comunidade, sem perder o papel de representante do Estado e cumpridor das leis vigentes. Um mudança esperada por representantes da sociedade civil e também pelos próprios policiais, civis e militares. ''Acredito que o desafio da polícia é resgatar sua imagem junto à comunidade. Para muitas pessoas, o policial é uma pessoa brava'', afirma o presidente do Conselho de Segurança da Região Leste de Londrina, Jurandir Rosa.
Para promover essa mudança, será realizado até o final desta semana no interior do Paraná o 1º Curso de Formação de Promotores da Polícia Comunitária, promovido pela Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), em parceria com a Secretaria Estadual de Segurança Pública (Sesp) e a Polícia Militar, através do Projeto Povo. ''O objetivo é formar multiplicadores dessa filosofia de policiamento comunitário e aproximar a polícia e a comunidade, uma vez que essa proximidade é muito importante para o trabalho de segurança'', afirmou o tenente-coronel Luiz Carlos Menezes Deliberador, comandante do 5º Batalhão de Polícia Militar (BPM), de Londrina.
O curso será ministrado por instrutores locais e também da capital do Estado. Ao todo, participam 51 pessoas e as aulas acontecem no auditório do Sindicato do Comércio Varejista de Londrina (Sincoval). ''A proposta é apresentar o conceito mundial de polícia comunitária e ensinar metodologias para implementá-lo. Queremos também desfazer alguns mitos que foram se formando, como por exemplo, de que a polícia comunitária não realiza prisões ou que é mais tolerante'', explicou a major Audilene Rosa de Paula Dias Rocha, que é uma das professoras do curso e coordenadora do Projeto Povo em Curitiba e Região Metropolitana.
Segundo esclarece, a idéia de policiamento comunitário que está sendo ensinada pretende implementar uma visão global da comunidade junto aos policiais que nela atuam. ''Tem que haver uma participação mútua, policiais e comunidade. Não de uma maneira paternalista, mas com os policiais sendo uma referência para a população, inclusive na identificação, organização e solução dos seus problemas.''
Na avaliação do tenente Hugo Woll, do Batalhão de Polícia Florestal - que é um dos alunos do curso -, idéias e métodos como os que serão ensinados são importantes não só para os policiais, mas também para a própria comunidade. ''As pessoas têm medo daquilo que elas não conhecem. Elas não vêem o PM como uma pessoa comum, com suas próprias fragilidades. Às vezes esquecem que é o policial que trabalha no resgate de vítimas de acidentes ou de qualquer outra situação tensa e isso o fragiliza também. Penso que é bastante importante que essa visão sobre a polícia mude.''
Para que isso aconteça, alerta a major Audilene, é preciso que esse trabalho de formação seja contínuo. ''Isto vai levar anos, porque é uma mudança cultural que estamos propondo. Para policiais e civis.'' O delegado-chefe de Londrina, Sérgio Barroso, lembra que, além da ação dos policiais, a população também deve participar. ''Não só através dos disque-denúncias, que têm tido uma participação importante, mas também se envolvendo. Segurança pública é um dever do Estado, mas também um direito e uma responsabilidade de todos.''

mockup