PMs do caso Jamys denunciados por homicídio qualificado


Luciano Augusto Reportagem Local
Luciano Augusto Reportagem Local

Ontem, exatos 45 dias após o crime, os quatro policiais militares diretamente envolvidos na morte do carregador Jamys Smith da Silva, 20 anos, foram denunciados à Justiça pela promotora da 1 Vara Criminal de Londrina, Susana Feitosa de Lacerda, por homicídio duplamente qualificado por motivo torpe e sem possibilidade de defesa da vítima. O juiz João Luiz Cléve Machado deve divulgar seu parecer hoje. Se condenados, os PMs estarão sujeitos a penas de reclusão que variam de 12 a 30 anos.
O carregador morreu no dia 14 de maio deste ano, depois de ter sido violentamente espancado. Os agressores seriam os policiais militares Marco Aurélio da Silva Barbosa, Juliano Ferraz Dias, Sérgio Marcelo Souza Pinto e Jhanivaldo Zanin. O crime aconteceu na casa de Jamys, no Jardim Santa Fé (Zona Leste), onde a vítima promovia uma festa. O rapaz teria se recusado a baixar o volume do som, que estaria incomondando a vizinhança. Os policiais ainda teriam tentado socorrer o carregador, mas ele chegou sem vida ao Pronto Atendimento Municipal (PAM).
Dois dos PMs Barbosa e Dias aguardam presos o andamento do processo. Os outros dois denunciados foram afastados das ruas e cumprem expediente interno na sede do 5º Batalhão da Polícia Militar. Na denúncia, porém, a promotora pede a prisão dos quatro envolvidos. ''As testemunhas indicaram e há elementos no processo de que os quatro participaram (do espancamento)'', apontou a promotora. Tanto é assim, segundo ela, que os PMs tentam incriminar uns aos outros.
Além de terem sido denunciados por homicídio duplamente qualificado, os quatro policiais também podem sofrer ações cíveis, uma vez que a promotora remeteu todo o procedimento para análise da Promotoria de Defesa do Patrimônio Público. Susana argumentou que, como funcionários públicos, eles podem ser responsabilizados por terem ferido princípios da administração pública como a moralidade e a legalidade. ''A ação deles resultou na morte de uma pessoa'', observou.
''Acho que a Justiça está caminhando. Pedi com muita fé para Deus colocar sua mão para que a Justiça fosse feita. Acho que isso está acontecendo mas a dor é incurável'', comentou a mãe de Jamys, Sueli Aparecida Paula Teodoro, 40 anos. Ainda abalada com o bárbaro assassinato, ela afirmou que quer ver os policiais presos ''em cadeia comum, porque cometeram um crime horrível''. Seu único conforto desde o crime tem sido cuidar do neto de oito meses, que vai crescer sem os cuidados do pai. Desempregada, ela tenta na Justiça conseguir que o Estado pague uma pensão para o neto.
O espancamento e morte do carregador chocou Londrina e teve repercussão nacional depois que o então comandante do 5º Batalhão da Polícia Mílitar, tenente-coronel Manoel da Cruz Neto, qualificou a ação dos policiais como um ''acidente de trabalho''. Por causa da declaração dada à Folha, ele acabou sendo substituído no comando do batalhão pelo major Marcos de Castro Palma.

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