Santa Amélia - O procurador federal da Fundação Nacional do Índio (Funai), Derli Fiuza, afirmou ontem que deverá pedir o indiciamento dos policiais militares envolvidos na morte do índio guarani Vicente Cândido de Lima, na Reserva Laranjinha, município de Santa Amélia (63 km ao sul de Cornélio Procópio).
No dia 23 de abril de 2001, o índio foi morto com dois tiros, um nas costas e outro na cabeça, durante uma ação de quatro PMs que tentavam resgatar o neto dele, Mateus Felipe da Sena, de cinco meses, que estava no colo de Lima. A família do índio acionou a PM reclamando que ele tinha saído de casa com a criança e que ameaçava matá-la. Os policiais justificaram os disparos dizendo que teriam sido feitos em ‘‘legítima defesa’’ da criança, afirmando que o índio estava agachado com a cabeça do bebê entre os joelhos, em uma clara tentativa de estrangulamento.
Lima estava desarmado e exames feitos no bebê pelo Instituto Médico-Legal de Bandeirantes não comprovaram que ele havia sido vítima de tentativa de estrangulamento.
‘‘A minha posição é bem clara: houve homicídio. Os policiais estavam em superioridade numérica e o índio desarmado. Os policiais atiraram pelas costas, e acabaram ceifando a vida do Vicente’’, justificou o procurador. ‘‘Vamos requerer o indiciamento dos PMs. Vamos nos habilitar como assistente da acusação para que os policiais sejam denunciados e julgados pelo Tribunal do Júri e no âmbito civil. Pretendo também entrar com uma ação de indenização contra o Estado em favor dos familiares do índio.’’
Conforme o delegado da Polícia Federal (PF) que presidiu o inquérito, Pedro Paulo Figueiredo, depoimentos relatam que o cabo Nilson dos Santos teria dado o segundo tiro, porque ainda havia perigo para a criança. ‘‘Foram colhidas todas as provas e remetidas para a Justiça Federal para que apreciasse legítima defesa’’, concluiu.
O procurador regional da República, João Akira Omoto, disse estar esperando o laudo da perícia antropológica, realizada na semana passada, para definir o andamento do processo. ‘‘Eu requisitei a perícia antropológica por entender que é importante nessa situação, que envolve um índio como vítima, que um antropólogo faça uma avaliação para dar maiores elementos para que a gente possa decidir.’’ O laudo da antropóloga Elaine de Amorim Carreira deverá ser concluído em 45 dias.

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