Curitiba - A população de Curitiba percebeu: em certos horários do dia, o Centro e alguns bairros ganham um número maior de policiais. O patrulhamento ostensivo faz parte da Operação Escudo, programa que retira policiais militares de dentro dos quartéis, onde se dedicavam a trabalhos administrativos, para ir para a rua. Implantado há cerca de dois meses, a operação coloca diariamente 400 policiais nas ruas da Capital. Outros seis municípios da Região Metropolitana de Curitiba (RMC) adotaram a prática e, somados, ganham 100 PMs na ruas. Em breve, o programa será lançado também em cidades do interior.
A Operação Escudo foi implantada pelo comandante-geral da PM, coronel Anselmo José de Oliveira. Funciona como um reforço concentrado no policiamento, que altera as escalas de serviço dos policiais. Sem gerar crescimento de custos, o aumento de policiamento surgiu da idéia do remanejamento de horários, aplicando o mesmo efetivo de forma diferente. Tanto o trabalho operacional, nas ruas, quanto o administrativo foram revistos com a finalidade de aproveitar melhor o policial que ficava no escritório.
Segundo o coronel Roberson Luiz Bondaruk, desde que a Operação Escudo foi implantada, o número de chamadas ao serviço 190 - e consequentemente o total de ocorrências - diminuiu 25% nos horários em que a operação está em curso. O coronel reitera que o projeto não prejudicou o trabalho administrativo e não acarretou em sobrecarga de trabalho para o policial. ''Mesmo indo para a rua, o tempo em que o policial trabalha permanece o mesmo'', diz o Coronel Roberson.
A operação ocorre de segunda a sexta-feira em horários e locais distintos, conforme a necessidade apontada pelas chamadas no serviço 190 e pelo Geoprocessamento - Mapa do Crime, mapeamento elaborado pela polícia que mostra onde criminosos estão agindo. A não divulgação de quando e onde vai ocorrer a operação faz parte da necessidade de manter o que os policiais chamam de elemento surpresa: o criminoso nunca vai saber onde pode encontrar mais policiamento.
A operação é realizada em locais e horários com maior incidência de crimes, por isso a diminuição de chamadas é comemorada pela Polícia Militar. ''É uma média expressiva'', avalia o coronel. Segundo ele, nos poucos mais de dois meses de implantação do serviço, a polícia já evitou crimes que vão desde pequenos assaltos até roubo de banco, além de realizar prisões em flagrante e recuperar carros roubados.
Quando implantada, a Operação Escudo foi duramente criticada como uma ação que visava instaurar uma ''indústria da multa'', já que com mais policiais nas ruas, o número de autuações no trânsito iria crescer. O coronel Roberson afirma que hoje há poucos comentários a respeito. Ele completa dizendo que seria perda de tempo e dinheiro manter um policial em um cruzamento e proibir que aplique multas a motoristas infratores. Além disso, diz ele, não houve crescimento no número de autuações. ''Quem tem que ficar preocupado com o reforço do policiamento são os criminosos ou quem costuma cometer infrações de trânsito'', afirma.

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