Policiais militares de várias regiões do Brasil estão discutindo desde ontem em Curitiba a segurança pública no País. Para melhorar a estrutura das polícias, o presidente do Comando Geral da Polícia Militar do Paraná, coronel Luiz Fernando de Lara, defende a criação de um fundo nacional - um anteprojeto que hoje está parado no Congresso Nacional.
O 19º Encontro Nacional de Comandantes Gerais das Polícias Militares e Corpos de Bombeiros vai até amanhã, quando ocorre a eleição da nova direção do Conselho Nacional das Polícias Militares e a redação da Carta de Curitiba, que levará sugestões de combate à criminalidade ao presidente Fernando Henrique Cardoso e outras autoridades do país.
Lara afirmou que a União não tem dado recursos aos Estados para combater a criminalidade. ‘‘A segurança pública não é de responsabilidade dos Estados e municípios. É um problema nacional’’, disse. ‘‘O governo federal tem que entender que os Estados estão engessados’’.
O governador Jaime Lerner (PFL), que também participou do encontro, disse que o Paraná não tem condições de investir em efetivo e equipamentos por causa das despesas com a Previdência. ‘‘Se queremos avançar na área da segurança, temos que avançar em todas as áreas. Mas como fazer investimentos, se temos que cobrir o buraco da previdência?’. Segundo o governador, o gasto é de 36% da folha de pagamento do Estado. Lara disse que a Polícia Militar sempre precisa de equipamentos, mas este ano o governo está sucateado, daí a necessidade da ajuda do governo federal.
A unificação das polícias, projeto que também está no Congresso Nacional, não é bem aceita pelos policiais. Segundo Lara, o que se defende é a integração dos serviços.
O comandante geral da Polícia Militar de São Paulo, coronel Rui César Melo, também rejeita a unificação, já que seria uma solução forçada. Para ele, mudanças no Código Penal, no Código de Processo Penal e na Lei de Execução Penal - que estão desatualizados - trariam retorno mais rápido que a unificação. Melo disse, por exemplo, que as penas mínimas para os crimes dolosos deveriam aumentar e o trabalho dos presos deveria ser obrigatório.
Quanto aos crimes cometidos pelos policiais, Melo disse que os culpados deveriam pagar em dobro, para que a pena dura e a dificuldade em se conseguir benefícios pudessem servir como prevenção. Lara, por outro lado, disse que lamenta quando o policial esquece seu dever, mas que a corrupção não ocorre apenas na Polícia Militar.Mauro FrassonParticipaçãoPoliciais militares ontem, em Curitiba, no Encontro Nacional de Comandantes das PMs e Corpo de BombeirosAnna Camanducaia

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