PMs de SC são acusados de assalto
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segunda-feira, 14 de abril de 1997
Valmir Denardin Sucursal de Foz do Iguaçu 
Ney de SouzaSomos inocentesOs PMs Gilberto Lopes (à esq.) e Vitalino dizem que foram confundidos com o verdadeiro assaltanteDois policiais militares brasileiros estão presos em Ciudad del Este, no Paraguai, acusados de assalto. Os irmãos Gilberto Ireno Lopes, de 30 anos, cabo do 7º Batalhão da Polícia Militar de Florianópolis (SC), e Vitalino Ireno Lopes, 33, soldado do Batalhão de Operações Especiais da capital catarinense, estão sendo acusados de ter assaltado uma sacoleira em Ciudad del Este. Em entrevista à Folha, os dois negaram o crime.
Segundo a Polícia Nacional paraguaia, os dois PMs foram presos em flagrante, às 9 horas do último sábado. Gilberto estaria com um revólver calibre 38 e seu irmão, com uma faca. Eles teriam tentado roubar uma sacola de compras de uma turista, a também catarinense Marilene Germano Pavanello, de 28 anos, que mora em Joinville.
A tentativa de assalto ocorreu, de acordo com a polícia paraguaia, em uma das ruas mais movimentadas do centro de Ciudad del Este, que aos sábados é invadida por sacoleiros de todo o Brasil. Foi na frente de todo mundo. Temos inúmeras testemunhas do que aconteceu, afirmou o chefe de Relações Públicas da Polícia Nacional na cidade, Augusto Anibal Lima.
Lima disse que, ao ser preso em flagrante, o soldado Vitalino Lopes feriu um policial paraguaio com uma facada. Os dois irmãos foram levados até a Chefatura de Polícia de Ciudad del Este. Em seguida, o juiz Mario Rubens Marrecos, da 1ª Vara de Justiça da cidade, determinou que eles fossem levados para a Penitenciária Regional de Alto Paraná e Canindeyú.
A exemplo de presídios brasileiros, a penitenciária de Ciudad del Este está superlotada. Com capacidade para até 200 detentos, o local abrigava ontem mais de 600. Os dois brasileiros estão em uma cela isolada.
Em entrevista à Folha, ontem à tarde, os dois PMs negaram a tentativa de assalto e a suposta agressão. Gilberto Lopes confirmou apenas que estava com o revólver. Seu irmão negou que estivesse portando uma faca.
Tomei a liberdade de trazer minha arma porque sabia que o Paraguai é um lugar perigoso, afirmou Gilberto, que há 12 anos trabalha na PM catarinense e atualmente estava de férias. Vitalino está na corporação há 11 anos. É a primeira vez que somos presos. Nunca respondemos nenhum processo, disse Vitalino.
Os dois afirmaram que viajaram de Florianópolis a Ciudad del Este, de ônibus, para fazer compras. Segundo Gilberto, eles foram confundidos com um homem que, armado de faca, teria tentado assaltar a sacoleira.
Nós estávamos procurando a Casa Macedônia. Peguei na camisa de uma senhora e perguntei onde ficava essa loja. Nisso, um cara chegou atrás dela com uma faca. Quando vi o rapaz encostar a faca nela, gritei: assalto. Sou policial, fui tentar ajudar. Como estava armado, me confundiram com o bandido, declarou Gilberto.


