O pedreiro Nelson da Silva, 35 anos, e seu sobrinho, o ajudante geral Eduardo Cesar de Souza, 20 anos, acusam policiais militares do 2º Pelotão Metropolitano, sediado em Cambé (13 km a oeste de Londrina), de tortura e de forjar flagrante de porte de drogas.
Os dois teriam sido agredidos em duas sessões na noite de sexta-feira: a primeira em um bar do Jardim Ana Rosa e a outra nos corredores da delegacia de Cambé. Após pagarem fiança de R$ 50,00, tio e sobrinho se dirigiram à Santa Casa da cidade, onde receberam atendimento ambulatorial. Silva teve uma costela fraturada. Souza, que diz ter sido chutado na cabeça várias vezes e com extrema violência, fez exames neurológicos e ficou por algumas horas em observação. Ambos foram liberados em seguida, mas ainda não apresentam condições de trabalhar. Sentem fortes dores por todo o corpo. Na tarde de ontem, eles se submeteram a exame de lesões corporais, cujo resultado deve sair em 10 dias.
O Centro de Direitos Humanos (CDH) denunciou o caso ontem ao comando do 5º Batalhão da Polícia Militar e ao delegado-chefe da 10ª Subdivisão Policial, Gilson Garret. ‘‘Pelo que apuramos, realmente ocorreu um abuso inaceitável que deve ser muito bem investigado. O mais importante é que não prevaleça mais uma vez a impunidade’’, alertou o secretário-geral do CDH, Jorge Custódio Ferreira.
Pela versão das supostas vítimas, cerca de 15 policiais que faziam um arrastão em bares do bairro ordenaram que todos os frequentadores ficassem de costas e encostassem as mãos na parede. Neste momento, Silva teria dito ao grupo de PMs que não havia motivo para aquele tipo de tratamento. ‘‘Um dos policiais nem chegou a esperar eu terminar de falar. Me deu um tapa no rosto e me xingou’’, conta o pedreiro.
Segundo Souza, ele tentou interceder pelo tio, mas também foi agredido com pontapés. Em seguida, os dois foram algemados e colocados dentro da viatura. A alegação dos PMs, conforme o relato dos denunciantes, foi que Silva e Souza estariam embriagados, portando maconha e que haviam desacatado a autoridade. Na delegacia, a agressão teria sido ainda mais violenta, enquanto estavam deitadas e algemadas.
Ontem, o comando do 5º Batalhão solicitou ao tenente Deoclécio Ayres Barbosa que faça uma investigação preliminar em 48 horas. O objetivo é saber a natureza da ocorrência, que poderá gerar uma sindicância interna (em caso de poucos indícios) ou mesmo a instauração de um Inquérito Policial Militar. Testemunhas que estavam no bar deverão ser ouvidos pela Polícia Civil.
Além da punição aos responsáveis pela agressão, Souza quer que seja cancelado o boletim de ocorrência, no qual consta desacato e porte de drogas. O rapaz afirma que o porte de maconha foi forjado. Os acusados não têm antecedentes criminais.

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