Cinco moradores de Londrina, entre eles um policial militar, acusam quatro soldados, um sargento e um tenente do 5º Batalhão da Polícia Militar (BPM) de ação truculenta durante uma ocorrência policial. Um dos rapazes agredidos foi ferido no olho por um chute com coturno.
Franklin José Luiz, 21 anos, Glauco Junior Felício, 22, José Luiz Felício, 21 e o policial Valtair Felício, 33, realizaram ontem exames corpo de delito no Instituto Médico Legal (IML) da cidade, mostrando aos especialistas cortes profundos, escoriações e marcas de socos, coronhadas e golpes de cacetete. A quinta vítima, Emerson Estevan da Silva, 24, não quis passar pela avaliação médica. O caso aconteceu na noite de sábado, quando três viaturas atenderam uma ocorrência na casa do policial Valtair, localizada no Vivi Xavier, região norte de Londrina. ‘‘Ele e a esposa estavam discutindo, mas não havia briga. Violência aconteceu mesmo quando os PMs chegaram’’, explicou o funcionário público Olivaldo Felício, pai de três dos agredidos, dizendo que os outros tentaram apenas conversar com os solddos.
Apesar de a discussão ter ocorrida entre o casal, foram os irmãos e amigos de Valteir que acabaram feridos, algemados e encaminhados para a 10ª Subdivisão Policial (SDP). Todos foram liberados somente às 3h30 de domingo. ‘‘Entre os mais violentos estavam o sargento André e os soldados Rangel, Edinei e Mendes. A pancadaria foi presenciada pelo tenente Rodrigo, que não fez qualquer gesto para acabar com a violência’’, acusaram os irmãos José Luiz e Glauco Felício. Este último mostrou o olho roxo e um corte profundo no lado esquerdo do rosto, supostamente provocado por um chute do soldado Rangel Barbosa da Cunha.
A Folha conversou tentou levantar o nome completo dos demais homens junto ao comando do 10º BPM, mas o major Devaldir Amadei informou que precisa ouvir todos os envolvidos e avaliar o relatório completo dos fatos. ‘‘Já instauramos inquérito e temos 40 dias para finalizá-lo. Se apurarmos irregularidades, vamos responsabilizar quem se excedeu’’, afirmou Amadei.
O soldado Rangel, um dos principais acusados no caso, também se dirigiu ontem ao IML para fazer exames usando gesso. Mesmo não havendo qualquer registro de luta corporal entre acusados e acusadores, Rangel declarou aos médidos do instituto que teria fraturado o pé durante a ocorrência. ‘‘Só se foi chutando o Glauco. Algum PM também deve ter machucado a mão enquanto esfregava minha orelha no muro’’, brincou Franklin, mostrando os ferimentos.
Segundo Olivaldo, todos devem ir ao 10º BPM nesta sexta-feira para conversar com o comando local. ‘‘Vamos entrar com uma ação contra o Estado. O assunto deveria ser resolvido com diálogo, não com violência’’, lamentou.

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