PMs aprendem a lidar com mulheres agredidas
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terça-feira, 16 de agosto de 2005
Vanessa Navarro<br>Reportagem Local 
A mulher apanha, chama a polícia, mas depois implora para que o marido não seja preso. O comportamento pode ser difícil de entender, mas acontece com grande frequência. É por causa dessas peculiaridades que o efetivo do 5º Batalhão da Polícia Militar (BPM) de Londrina passará por uma capacitação para lidar melhor com casos de violência contra mulheres. Ministradas por profissionais do Centro de Atendimento à Mulher (CAM), as aulas começaram ontem e terminam no dia 20 de outubro.
A atividade é parte do curso ''Cidadania, Direitos Humanos e Sobrevivência Policial''. De acordo com o tenente Ricardo Eguedis, do setor de Relações Públicas do 5º BPM, a iniciativa foi dos próprios policiais, que se deparam com muitos casos de agressão contra mulheres em seu cotidiano de trabalho. ''O objetivo é promover uma humanização nesse tipo de atendimento, para que o policial possa tornar o momento o menos traumático possível'', explicou.
Para o soldado Ricardo Roberto, que é policial há 22 anos e participou do curso ontem, uma das tarefas mais difíceis é convencer a mulher agredida a prestar queixa contra o companheiro. ''Ela não vai atrás de seus direitos, e por isso a violência perdura. Já vi muitos casos nesses anos todos. Tem que saber orientar'', salientou.
''O policial precisa entender esse ciclo de violência da mulher, que às vezes chama a polícia e não quer que levem o agressor preso. Há a insegurança, a vergonha, o medo'', observou a gerente de apoio à mulher do CAM, Patrícia Aparecida Raboni. ''Também é importante escutar a vítima com interesse e evitar julgamentos. E ter sempre à mão a lista de serviços complementares para os quais a mulher pode ser encaminhada - o próprio CAM, o programa Rosa Viva, o Conselho Tutelar'', completou.


