Milton DóriaLinha de frenteMaria da Conceição, presidente da AEPM: ‘Nossa luta é buscar a valorização dos policiais militares. Queremos uma vida digna’ A Associação das Esposas dos Policiais Militares do Paraná (AEPM) entregou na quinta-feira um documento ao governador Jaime Lerner, reivindicando melhores condições de trabalho para a categoria. Segundo a presidente da AEPM, Maria da Conceição dos Santos, o documento é exatamente o mesmo que foi entregue ao governador em setembro de 96. ‘‘Ficamos esperando uma resposta do governador e nada. Mas não desistimos, por isso entregamos o documento de novo.’’
Ela conta que o governador se comprometeu em analisar a situação. ‘‘Se Lerner não der retorno, vamos até Curitiba. Acamparemos na frente do Palácio Iguaçu e só sairemos se formos atendidas.’’ A frente das reivindicações dos PMs sempre é tomada pelas esposas, já que legalmente a categoria é impedida de fazer qualquer tipo de manifestação trabalhista.
O teor do documento revela preocupação com a desvalorização do policial militar: ‘‘O policial militar não tem direito ao vale alimentação, vale transporte, adicional noturno, recebimento de horas extras, FGTS. Além disso o seu trabalho não tem reconhecimento’’, afirma Maria da Conceição. ‘‘Essa é a nossa luta: buscar a valorização dos policiais militares. Queremos uma vida digna.’’
Um dos principais problemas apontados pelas esposas dos PMs é a falta de segurança. A presidente da AEPM conta que a situação do armamento é bastante precária. ‘‘O bandido está melhor armado que o policial’’, ela acredita. Para exemplificar, Maria da Conceição lembra o tiroteio que aconteceu na vila Iara, no dia 1º de julho.
Na ocasião, as armas por diversas vezes ‘‘pipocaram’’, deixando os policiais em desvantagem. ‘‘Em rebeliões e assaltos eles acabam ficando à mercê dos criminosos. Como podem oferecer segurança, se eles não têm?’’ A reivindicação das mulheres é a modernização do armamento e aquisição de equipamentos de proteção. ‘‘Eles têm que estar equipados para trabalhar. Queremos a certeza de que nossos maridos ou filhos vão voltar para casa.’’
O documento pede também a revisão da lei 11.366, aprovada no ano passado. Segundo Maria da Conceição, a lei tornou a Gratificação Policial Militar Especial muito diferenciada. Ela explicou que o salário do policial militar é composto por soldo e gratificação. Até o ano passado, o índice de gratificação para todos os níveis era de 80% sobre o soldo.
Maria da Conceição conta que a lei 11.366 aumentou o índice de gratificação em percentuais diferenciados. Os coronéis da PM passaram a receber gratificação de 389%, enquanto que para os sargentos e soldados o índice passou a ser de 100%. Ou seja, enquanto para o maior cargo hierárquico o reajuste foi de 309 pontos percentuais, para os soldados o reajuste foi de 20 pontos percentuais. Segundo Maria da Conceição, na prática, o menor salário da PM foi para R$ 735, enquanto os maiores giram em torno de R$ 8 mil. ‘‘A diferenciação é absurda’’, reclama.
Ela garante que o que houve não foi aumento salarial. Maria da Conceição explica que pelo Código de Vencimentos da PM (lei 6.417, de 03/07/73) os índices de aumento salarial da categoria seriam aplicados no valor do soldo e seriam os mesmos para todos os postos, desde o coronel até os soldados. ‘‘Além disso, a volta do escalonamento foi uma conquista alcançada através de ação judicial.’’
Na pauta de reivindicações estão também cursos de formação, aperfeiçoamento e especialização, melhores salários e contratação de psicólogos e assistentes sociais para atendimento aos PMs.

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