PMs acusados depõem e são liberados
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quinta-feira, 07 de agosto de 1997
Luciane Tonon Sertanópolis 
Marcos BorgesDefesaOs policiais Tobias e Bertonsini (no fundo). Advogado apresentou tese de
legítima defesa. Os policiais militares João Paulo Bertonsini e João Carlos Tobias, do 5º Batalhão da PM, acusados de matar o comerciário Paulo Antônio dos Santos, 20 anos, na madrugada de sábado, na rodovia entre Primeiro de Maio e Sertanópolis (40 quilômetros ao norte de Londrina), se apresentaram ontem para depoimento. Eles estavam acompanhados do advogado Luiz Gaia. Depois de dar suas versões, os PMs foram liberados. Eles vão responder pelo crime em liberdade. O inquérito aberto enquadra Bertonsini por homicídio doloso e Tobias por co-autoria.
Bertonsini atirou em Santos com uma pistola semi-automática 7.65. Foram disparados cinco tiros. O comerciário, que dirigia o Monza placas LL-3323 (Primeiro de Maio), levou um tiro na cabeça e morreu na hora.
Junto com Santos, viajavam Luciano Ozório de Souza, 20 anos, e Rogério Tonin Ferraz, 18. Segundo os depoimentos, os dois carros se encontraram primeiro na saída de Primeiro de Maio e voltaram a se emparelhar perto do acesso a Sertanópolis.
O homicídio causou indignação em Sertanópolis e Primeiro de Maio, cidade onde a vítima morava. Um grupo de amigos e familiares se concentrou na frente da delegacia durante a tomada dos depoimentos. Hoje, às 14 horas, em Primeiro de Maio, deve ocorrer uma manifestação de protesto pedindo a punição dos acusados.
O depoimento, na delegacia de Sertanópolis, começou às 9 horas e terminou as 12h30. As duas moças que estavam com eles na noite do crime vão ser ouvidas hoje. Bertonsini alegou que fez os disparos em legítima defesa por ter sido abordado duas vezes por Santos.
O advogado do PM, Luiz Gaia, tenta descaracterizar o enquadramento como homicídio doloso, afirmando que Bertonsini atirou para proteger os companheiros que estavam com ele no carro (Tobias, a namorada dele e a prima da namorada). Em momento algum, ele pensou em matar. Somente fez os disparos quando viu a arma nas mãos do jovem, que estava sentado ao lado do motorista, afirmou Gaia.
Eles estavam parados à beira da estrada e não estavam incomodando ninguém. A reação de tiros foi em momento de desespero, tanto é que eles nem desceram do carro, disse Gaia. Para o advogado, cinco tiros não caracterizam excesso de crueldade. Temos que levar em consideração que foram projetados por uma pistola semi-automática.
A família de Santos nega que ele e seus dois colegas tenham agredido os policiais. Pelo contrário. Quando os amigos do meu irmão perceberam que o policial ia atirar, abaixaram-se no banco e gritaram Paulinho toca esse carro, mas quando viram ele já estava morto, contou o irmão da vítima, Silas Gonçalves dos Santos, 25 anos.
Segundo ele, a família espera justiça porque a ação do policial não tem justificativa. Minha mãe está tão abalada que não quer mais voltar pra casa, comentou.
Segundo a versão dos colegas de Santos, eles se dirigiam a Sertanópolis quando viram um Monza verde parado no acostamento da rodovia e pararam o carro para dar auxílio. Santos desceu do carro.
Ao chegar perto do veículo, Santos viu que as moças estavam nuas. Um dos PMs disse: Sou policial e não estou precisando de nada. Santos e os companheiros seguiram em frente. Segundo depoimentos, o carro dos policiais também teria se deslocado, logo em seguida. Quando os carros se emparelharam novamente, cinco quilômetros à frente, o policial atirou.
O delegado Marcos Roberto Guazzi Belinatti alega que os policiais estão em liberdade por não ter ocorrido flagrante. Eles estão recolhidos no 5º BPM de Londrina mas não sofreram punições disciplinares. Hoje, Belinatti deverá ouvir as duas moças que acompanhavam os policiais e familiares da vítima. O crime é da competência da Justiça Comum, pois os policiais estavam à paisana e não utilizavam arma da corporação.


