Curitiba - A juíza Luciane Ludovico, de Almirante Tamandaré (Região Metropolitana de Curitiba), ouviu ontem oito dos 16 acusados de envolvimento na morte de mulheres na cidade. De 1998 para cá, cerca de 20 mulheres foram assassinadas. A delegada que investigou o caso, Vanessa Alice, acredita que existe uma ligação entre as mortes e que os crimes teriam sido planejados e executados por uma quadrilha, formada por seis policiais militares, um policial civil e comerciantes do município. A suspeita é de que as principais atividades da quadrilha eram o tráfico de drogas e o desmanche de veículos.
Os depoimentos tomados ontem dizem respeito à morte de duas mulheres: Maria Luz Alves dos Santos e Joyce Katolick Devitte, assassinadas em março deste ano. Foram ouvidos os policiais militares Juliano Vidal de Oliveira, Jean Adan Grott, Juarez Vieira, Jeferson Martins, José Aparecido Souza, Marcos Marcelo Sobieck e Leily Pereira, além do policial civil Alexander Perin Pimenta. Hoje a juíza continua ouvindo os outros oito acusados.
A juíza não quis se manifestar sobre o conteúdo dos depoimentos, mesma posição adotada pelas promotoras Mônica Sakamori e Teresinha Resende, que acompanharam os interrogatórios, feitos a portas fechadas.
O advogado do policial Jeferson Martins, José Leocádio de Camargo, disse que vai pedir o desmembramento do processo. ‘‘São muitos réus, e cada um deles têm o direito de ser julgado individualmente’’, argumenta. Segundo ele, seu cliente está sendo acusado de coação de testemunhas e portanto não pode estar ao lado de acusados de assassinato. Ainda assim, Camargo alega que seu cliente é inocente.
‘‘Martins estava trabalhando há cinco meses no município. Ele mora em Paranaguá e diariamente vinha para Almirante Tamandaré e voltava para a sua cidade’’, explica. Segundo os promotores que apresentaram a denúncia, no entanto, Martins teria ameaçado de morte José Eloir Alves dos Santos, irmão de Maria dos Santos, uma das vítimas.
Depois de ouvir todos os acusados, a juíza Luciane Ludovico deve ouvir as 48 testemunhas de acusação. O passo seguinte será ouvir as testemunhas de defesa e só então a juíza poderá dar a sentença, definindo se os réus vão ou não a júri popular.

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