PMDB vai à Justiça contra apreensão
Emerson Cervi e
Leandro Donatti
De Curitiba
O diretório estadual do PMDB vai recorrer à Justiça contra o mandado de busca e apreensão expedido pelo juiz Fernando Ferreira de Moraes, da Central de Inquéritos. Com o mandado, policiais militares entraram no diretório do PMDB no último sábado, e apreenderam documentos do partido que protesta contra cobranças de multas segundo as novas regras de trânsito.
A ordem judicial determinava que fosse apreendido apenas propaganda que tivesse a palavra Ca$$ioníquel, mas eles levaram outros documentos, afirmou Maurício Requião, presidente do diretório municipal do partido. Segundo o Secretário Municipal de Governo, Marcos Isfer, a ordem judicial era contra a propaganda considerada ofensiva ao prefeito. Se nós chamássemos o Requião de Maria Louca, o PMDB não reagiria?, provocou Isfer.
De acordo com Maurício Requião, a PM apreendeu um pacote com listas contendo cerca de 7.000 assinaturas e que não têm a palavra Ca$$ioníquel. Ainda no sábado, na rua XV de Novembro, policiais tentaram impedir que peemedebistas dessem continuidade à campanha de coleta de assinaturas de apoio a um projeto de lei popular proibindo as multas de trânsito eletrônicas.
Isfer disse ontem que em momento algum a Prefeitura tentou cercear o direito do PMDB coletar as assinaturas para o projeto de lei que tenta acabar com as multas pelo sistema eletrônico. Segundo ele, a Secretaria de Urbanismo concedeu licença a pedido do líder do PMDB na Câmara, Celso Torquato, para o abaixo-assinado. A licença foi concedida na sexta-feira,informou.
A Prefeitura acusou ainda o PMDB de incitar a violência no protesto de sábado. Existem pessoas no PMDB interessadas em nos colocar contra a população por outras razões de cunho eleitoral, sugeriu. Marcos Isfer afirmou ainda que a autuação de multa pelo sistema eletrônico é uma reivindicação da população.
Um projeto de lei popular precisa de 50 mil assinaturas para ser protocolado na Câmara Municipal. Segundo Requião, até ontem 25.000 pessoas já haviam assinado.
O advogado do PMDB, Mozart Quadros, protocolou ontem uma petição requerendo a devolução de todo o material apreendido do diretório. De acordo com ele, o mandado é irregular. Esse tipo de decisão contra um partido político só pode ser tomada pela Justiça Eleitoral, e cabe à Polícia Federal o cumprimento da ordem, não a polícia estadual, afirmou.
Ainda ontem, os advogados do PMDB protocolaram uma representação contra o prefeito Cassio Taniguchi à Polícia Federal. Para Mozart, o prefeito de Curitiba violou a Lei de Segurança Nacional ao tentar impedir o livre exercício de manifestação popular.





