PM vai reforçar guarda externa da PEL
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sexta-feira, 02 de junho de 2000
Chiara Papali De Londrina Especial para a Folha 
A partir de hoje, o comando da Polícia Militar (PM) da cidade reforça a guarda externa nas guaritas da Penitenciária Estadual de Londrina (PEL), com mais dois policiais por turno. A medida foi tomada, segundo o comandante do 5º Batalhão da Polícia Militar (BPM) de Londrina, tenente-coronel Robenson Máximo Fim, por precaução, devido à greve dos agentes penitenciários. A segurança no presídio sempre foi mantida, mas numa situação de greve precisamos reforçá-la, disse.
A PEL tem 11 guaritas, mas nem todas são ocupadas por policiais militares. Por motivo de segurança o número de soldados que fazem a guarda externa não pode ser divulgado.
O coordenador adjunto do departamento penitenciário do Estado do Paraná (Depem), Lauro Valeixo, acredita que menos policiais que guaritas não afeta a segurança, mas questiona a possibilidade de aumentar definitivamente o efetivo de policiais na guarda externa. Pedimos que o comando do 5º BPM de Londrina envie um relatório à Secretaria Estadual de Segurança Pública comunicando o número de policiais na guarda e pedindo um aumento do efetivo, disse.
Os agentes penitenciários estaduais entram no quarto dia de greve hoje sem perspectiva de acordo, segundo o delegado sindical, Jarbas César Palhano, do Sindicato dos Servidores Penitenciários do Estado do Paraná. Segundo dados do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Sócio-Econômicos
(Dieese), o governo estadual gasta 48% da arrecadação com folha de pagamento, e não 64% como eles dizem, disse. A categoria pede reajuste salarial de 41,14%, pagamento integral de horas extras e implantação do plano de cargos e salários.
Ontem, apenas 17 agentes penitenciários trabalhavam por turno no presídio, segundo o diretor da PEL, Dyson Ferreira de Pinho. O número normal seria de 42 agentes. A maior preocupação do diretor da PEL é com o dia de visitas, que acontece amanhã. É um direito garantido por lei, por isso vamos montar um esquema especial para a segurança dos funcionários, visitas e dos próprios detentos, explicou. Segundo ele, cerca de 50% dos detentos recebem visitas, das 8 às 17 horas, todos os domingos.
Na quarta-feira, o dia da sacola, quando parentes dos detentos levam sacolas com alimentos, roupas e cobertores, acontece normalmente, segundo o diretor do presídio. Esse dia é mais tranquilo porque as pessoas só entram até o saguão, onde é feita a revista, explicou.
Sobre uma possível remoção de presos, vindos de Curitiba, Dyson Ferreira de Pinho disse que não há nada oficializado. Até ontem de manhã nenhuma solicitação de transferência de presos havia sido pedida na Vara de Execuções Penais de Londrina, segundo o juiz de direito substituto, Mauro Henrique Ticianelli. Se vierem mais presos, seremos prejudicados. A situação fica como um barril de pólvora, com mais risco de rebelião, explicou Dyson Pinho. A PEL, que tem capacidade para 360 presos, tem hoje 366 detentos. Colocar mais um ou dois detentos numa cela onde cabem seis causa muitos transtornos, disse.


