A Polícia Militar de Londrina deve começar, nos próximos dias, uma operação para recolher os menores que vivem pelas ruas e praças públicas da cidade. A operação conjunta, com Vara da Infância e Juventude, Conselho Tutelar e Secretaria Municipal de Ação Social, será nos moldes das que estão sendo realizadas no combate à prostituição infantil.
Segundo o tenente-corenel Sílvio José Mazalotti de Araújo, comandante do 5º Batalhão da Polícia Militar (BPM), a operação abrangerá 10 policiais que, acompanhados por comissários de menores, estarão percorrendo todos os mocós (casas abandonadas que servem de abrigo) durante o dia inteiro e parte da noite. Os menores recolhidos serão enviados ao Conselho Tutelar. ‘‘O Conselho Tutelar, então, os encaminhará para as famílias e aos programas da Secretaria de Ação Social’’, explicou.
Segundo Mazalotti, a operação vai ser realizada de forma frequente. ‘‘Além disso, todo o efetivo da PM está orientado para que, quando encontrar um menor em situação de risco, pedindo esmola ou cuidando de carros, o encaminhe para o Conselho Tutelar’’, disse.
Segundo o juiz Dimas Ortêncio de Melo, da Vara da Infância e Juventude, o objetivo da operação é retirar todos os menores em situação irregular das ruas de Londrina. O juiz não quis dizer quando começa e nem como serão feitas as apreensões de menores. Segundo ele, ainda não foram acertados os detalhes da operação. ‘‘Temos que nos reunir com o comandante Mazalotti para acertar tudo’’, justificou. O juiz afirmou que as apreensões de menores prostitutas também vai continuar.
Para o conselheiro tutelar Júlio Botelho, a operação será apenas paliativa. ‘‘Na verdade, é um processo meio que de limpeza da cidade, pois Londrina não tem retaguarda em programas sociais para encaminhamento destes menores’’, afirmou. Segundo ele, era preciso um sério investimento nesta área já que, atualmente, não há o que fazer com estas crianças. ‘‘O Conselho Tutelar recebe os menores e os encaminham a suas famílias. Só que, tanto as crianças como as famílias precisam de um programa sério que lhe dêem apoio social, psicológico e até financeiro. Senão eles voltam para as ruas’’, observou.
Segundo ele, os programas atuais como o ‘‘Da Rua Para Escola’’, que fornece cestas básicas às famílias que mantêm seus filhos nas escolas, já estão em ponto de estrangulamento. ‘‘As alternativas que sobram são poucas’’, garantiu. Apesar da crítica, o Conselho Tutelar vai participar efetivamente da operação. ‘‘Vamos receber todas as crianças recolhidas nas ruas e fazer o nosso trabalho’’, disse o conselheiro.Arquivo FolhaMenores recolhidos serão ecaminhados para família ou Ação SocialTelma Elorza

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