PM vai investigar agressões no educandário
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quinta-feira, 23 de setembro de 2004
Carolina Avansini<br>Reportagem Local 
A Polícia Militar (PM) vai abrir inquérito para apurar se policiais do Pelotão de Choque agrediram os adolescentes infratores internados na Unidade Social Oficial de Internação de Londrina (Usoil) também conhecida como educandário , durante contenção de tumulto ocorridano início de setembro.
Ontem, as conselheiras tutelares Rita Bastos e Silvana Vitoretti entregaram ao comandante do 5º Batalhão da PM, tenente-coronel Manoel da Cruz Neto, cópia do laudo do Instituto Médico-Legal (IML) que comprova a existência de lesões causadas por agressões físicas em 22 internos.
O comandante informou que o atendimento feito no educandário foi acompanhado pelo então diretor da instituição, Martiniano Tito Vale, e por um capitão da PM que não confirmou o comportamento denunciado pelo Conselho Tutelar. Segundo Cruz Neto, a PM só voltará a atender chamados da unidade se houver, no local, representantes do Ministério Público (MP) e das entidades que defendem os direitos das crianças e adolescentes. ''Colaboramos com o educandário e fomos colocados em situação difícil'', criticou.
A promotora da Infância e Juventude, Edina Maria Silva de Paula, também recebeu o laudo do Conselho Tutelar. Ela afirmou que, além das agressões, identificou outras irregularidades na unidade como, por exemplo, o fato de não haver proposta pedagógica e dos internos ficarem sem sair da cela.
Edina vai propor medidas de adequação após receber um relatório do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente que detalha o problema. Com relação aos problemas físicos do prédio, ela espera um laudo técnico do Instituto da Ação Social do Paraná (IASP).''O relatório e o laudo vão fundamentar a atitude legal a ser tomada.''
A conselheira Rita Bastos defende que a intervenção do Ministério Público é fundamental para cessar o ''desrespeito aos direitos humanos praticado no educandário''. Em visita à instituição, ontem, ela levantou novas irregularidades. ''Os educadores tiram a roupa, o chinelo e as colheres dos internos como medida punitiva. Além disso, alguns estão há vários dias sem tomar banho. Isso é inaceitável'', analisou.
Rita revelou que os adolescentes relataram terem apanhado de educadores. ''Eles contaram na frente dos educadores, que ficaram quietos'', disse. Todas essas informações serão reunidas em novo relatório a ser enviado ao MP.


