Paulo WolfgangEmergênciaReunião ontem entre representantes da Polícia Civil e da Militar: PM vai ignorar normas da corporação para tranquilizar a CidadeDesde de ontem à noite a Polícia Militar está ajudando na guarda dos presos nos Distritos Policiais de Londrina. A providência foi tomada pelo comandante do 5º Batalhão da Polícia Militar, Marino Ari Burile, após uma reunião ontem pela manhã com o Sindicato dos Policiais Civis de Londrina (Sindipol). ‘‘Mesmo contrariando as normas da corporação, em não fazer guarda em distritos policiais, achamos que é nosso dever ajudar na tranquilidade da Cidade’’, explicou Burile.
Pelas normas da Polícia Militar, a corporação pode apenas dar segurança externa em presídio. Burile remeteu ontem o pedido do Sindipol ao Comando Geral da PM em Curitiba. O comandante disse que se a ‘‘ajuda’’ da PM vai ser definitiva ou não, vai depender de ordens do comando da Capital.
O pedido de ajuda partiu do presidente do Sindipol, Ralf Gren de Oliveira. Ele foi ontem pela manhã até o 5º BPM e por intermédio de um ofício pediu ‘‘socorro’’ à PM para a guarda dos presos que estão nos 2º, 3º, 4º e 5º DPs. ‘‘É um verdadeiro pedido do SOS que estamos fazendo à Polícia Militar. Não estamos suportando mais, sozinhos, arcarmos com a reponsabilidade de cuidar de presos nos ditritos’’, disse Ralf Gren.
Segundo ele, a fuga dos presos ocorrida no último sábado no 3º DP, de onde fugiram 44 presos, foi a gota d’água para esgotar a paciência dos policiais civis londrinenses. Na ocasião da fuga o detetive Eliseu Martins - que estava sozinho no distrito fazendo as funções de carcereiro - foi rendido pelos presos e trancado em uma cela. ‘‘Eliseu poderia ter sido morto. Esta situação de constante perigo a que estamos expostos não pode mais continuar’’, afirmou Oliveira.
Paralelo a solicitação de ajuda à PM, o sindicato solicitou um levantamento pericial da situação dos distritos ao juiz corregedor das cadeias de Londrina, Roberto Correia do Vale. O levantamento foi feito pelo Instituto de Ciminalística e mostra o grau de risco no trabalho que os distritos oferecem, a insalubridade pela falta de higiene dos locais e a superlotação de presos nas celas.
Ralf Gren afirmou ontem à Folha que depedendo do que for levantado existe a possibilidade de ser solicitada a interdição dos distritos. Se não houver a interdição, o Sindipol vai radicalizar, não permitindo aos policiais trabalharem como carcereiros.

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