Depois de abortar a idéia de levar laptops para os trabalhos de rua, o 5º Batalhão da Polícia Militar (BPM) de Londrina irá utilizar telefones celulares na identificação e localização de suspeitos. Ontem pela manhã, na Câmara de Vereadores, a prefeitura e a empresa de telefonia Sercomtel oficializaram a cessão de 66 aparelhos à corporação, em regime de comodato.
A aquisição foi feita com recursos do Fundo Municipal de Reequipamento do Corpo de Bombeiros (Funrebom), que é custeado pelo contribuinte por meio de uma taxa cobrada no Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU). Segundo o diretor de engenharia da Sercomtel, Wanderley Rezende Neiva, os celulares emprestados à polícia são comuns no mercado, com conexão à internet e câmera digital. O diferencial do projeto, chamado de pioneiro pelos envolvidos, está no emprego dos aparelhos: a partir deles, as equipes em diligência irão acessar a base de dados da PM para fazer consultas ou mesmo emitir alertas.
O banco de dados, cujo acesso é restringido por senhas, dispõe de descrições pormenorizadas de pessoas envolvidas em atos criminais. As fichas oferecem nomes, apelidos, características físicas e até tatuagens dos criminosos, geralmente acompanhados de fotografias. Essas informações são cruzadas com aquelas fornecidas pelas vítimas, possibilitando a identificação imediata de suspeitos. ''Não será mais necessário levar as vítimas até o quartel, o que muitas vezes as deixava constrangidas. Além disso, os trabalhos ganham velocidade'', destacou o comandante do 5º BPM, tenente-coronel Marcos Palma.
Se a vítima reconhecer um suspeito na tela do celular, o policial pode imediatamente enviar um sinal de alerta para os celulares dos colegas, que irão proceder buscas do indivíduo. ''Além de consultas, é possível fazer a inclusão de dados. Todas as vezes que um policial fizer foto de um suspeito abordado na rua, haverá alguém na central para receber'', explicou o tenente Ricardo Eguedis, Relações Públicas da PM.
O comandante afirmou que o 5º BPM já possui um grande número de dados cadastrados, porém ainda restritos aos municípios de Londrina, Cambé, Ibiporã e Tamarana. Além de incluir dados de suspeitos fichados nas demais cidades do Estado, um dos pontos do projeto que precisam ser melhorados é a interface com a Polícia Civil. ''Vamos mostrar a idéia para o delegado-chefe e ver quais são as possibilidades de nossa polícia co-irmã participar.''
O uso dos celulares pela PM não está livre de custos. Segundo Nevia, se precisarem fazer uma ligação, os policiais terão que adquirir cartões de celular pré-pago. Neiva alegou que ''o uso de recursos de voz não faz parte do projeto''.
Ontem pela manhã, a PM também entregou ao Executivo o projeto que prevê a instalação de 100 câmeras de vídeo nas ruas de Londrina. Segundo o comandante do 5º BPM, coronel Marcos Palma, os equipamentos irão contemplar ''locais de grande vulnerabilidade a delitos''. A verba para instalação dos equipamentos também virá do Funrebom. O prefeito disse que ainda não sabe o valor que será investido nas câmeras ou quando estarão prontas para uso, mas que o Município tem grande interesse no projeto.

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