PM usa armas e cães para conter protesto
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quarta-feira, 21 de novembro de 2001
Maranúbia Barbosa<br>De Londrina 
Em meio a um tumulto generalizado, com a segurança reforçada por cerca de 150 homens do 5º Batalhão de Polícia Militar (BPM), o governador Jaime Lerner (PFL) inaugurou ontem a Casa de Custódia de Londrina, construída para desafogar a superpopulação carcerária nos distritos policiais da cidade. Uma barreira estratégica formada por soldados da Tropa de Choque, armados com fuzis, bombas de efeito moral, cães treinados e escudos, foi montada na estrada que dá acesso à nova cadeia, impedindo que grevistas da Universidade Estadual de Londrina, outros manifestantes, imprensa, convidados e até mesmo o prefeito Nedson Micheleti (PT) chegassem ao local da inauguração.
Lerner, o secretário de Segurança Pública, José Tavares, o deputado estadual Moisés Leônidas (PPB) e outros secretários usaram um helicótpero para entrar na Casa de Custório. A aeronave pousou no pátio interno do complexo. Para se dirigir até ao quiosque armado para a solenidade, na parte externa, Lerner teve que passar por dentro da carceragem da cadeia.
No discurso, Lerner lamentou a ausência de algumas ''autoridades do município de Londrina, que ficaram retidas no aeroporto''. Os convidados e os repórteres que conseguiram chegar ao local tiveram que percorrer um trecho de cerca de 15 quilômetros, metade deles de terra batida. Lerner afirmou que ''todas as autoridades que quiseram participar do evento puderam fazê-lo''. O governador fez questão de dizer que teria muito prazer em contar com a presença do prefeito, mas ''se ele ficou retido na barreira não foi problema da solenidade''. Lerner ainda disse que ''entende as razões'' que não permitiram a passagem de Nedson, mas ''não há nada que se possa fazer.''
Mesmo tendo se esquivado e inaugurado a cadeia longe dos manifestantes, Lerner disse que não se considera impopular. ''Vim inaugurar uma obra na área da segurança, que é um benefício para a cidade.
Assim é que eu entendo que o povo de Londrina gostaria que fosse.'' Para ele, as manifestações contra seu governo são normais e ''sempre vão haver''. ''Se eu quisesse unanimidade não estaria ocupando um cargo público'', retrucou.
Na opinião de Lerner, a Casa de Custódia coloca Londrina ''na vanguarda da segurança pública, pelo menos no que se refere ao confinamento de presos nas delegacias''. Os 320 presos que ocuparão as 80 celas instaladas nas quatro alas serão vigiados pela empresa de segurança Humanitas. Cerca de 80 funcionários, entre guardas e profissionais de várias áreas, foram contratados para trabalhar na cadeia, cujo diretor é Odi Pacheco Ribeiral. A obra, com área construída de 3.912 metros quadrados, custou R$ 4 milhões.
O esquema de segurança também foi eficiente depois que terminou a solenidade, impedindo que a imprensa acompanhasse a visita do governador à Casa de Custódia. Assim como veio, Lerner saiu pelos corredores das celas e embarcando no helicópetro, longe das vistas dos repórteres.


