PM treina para se tornar mais educado
PUBLICAÇÃO
sábado, 10 de maio de 1997
Vânia Casado Sucursal de Curitiba 
A violência da Polícia Militar, os projetos de desmilitarização que estão sendo discutidos no Congresso e o desarmamento da população foram os principais temas enfocados durante treinamento de policiais militares, ocorrido ontem, em Curitiba. A iniciativa do encontro, que ocorre a cada dois meses, é do 17º Batalhão Metropolitano de Curitiba, que abrange os 22 municípios da Região Metropolitana de Curitiba, e controla 1.117 PMs.
Durante o treinamento, que reuniu cerca de 350 policiais, foram mostradas as reportagens sobre violência de policiais militares na Favela Naval, em Diadema (SP), exibidas pelo Jornal Nacional, da Rede Globo de Televisão. O fato ocorrido em São Paulo foi lamentado à exaustão pelo tenente coronel Donizete Ribeiro, comandante do 17º Batalhão, que classificou o episódio como um ato isolado. Ele afirmou que os policiais de seu batalhão são orientados e treinados para a defesa pessoal e da comunidade, e não para a agressão, como ocorreu em Diadema. Ele considerou as ações covardes, uma vez que as pessoas abordadas não estavam reagindo e nem ofereciam perigo aos policiais.
O treinamento tem como objetivo aperfeiçoar as ações policiais. Segundo o tenente-coronel Ribeiro, o policial militar tem que ser gentil e educado e a violência não deve fazer parte de sua atuação. O militar reconhece que a violência nas ruas tem origem no desequilíbrio social do País. Ele também se manifestou sobre o decreto presidencial de desarmamento para reduzir os índices de violência. Para o coronel, não deveria ser concedido porte de arma para ninguém, exceto policiais, que devem estar armados 24 horas por dia. Ele justifica que, mesmo fora de serviço, o policial é frequentemente acionado para solucionar casos urgentes.
O juiz João Kopytowski, do 2º Tribunal do Júri de Curitiba, defende a manutenção da Polícia Militar como corporação independente. Para ele, o policial militar não deve ser execrado publicamente por ações isoladas como as que aconteceram em São Paulo e no Rio de Janeiro.
Kopytowski defendeu o aumento das penas para os crimes de trânsito, que contribuem para elevar a violência nas grandes cidades. Uma das sugestões é enquadrar as mortes no trânsito como homicídio doloso e não culposo, que têm penas menores.


