De acordo com determinação do juiz substituto da 8 Vara Cível de Londrina, Abelar Baptista Pereira Filho, o 5º Batalhão de Polícia Militar (5º BPM) de Londrina tem até a próxima terça-feira para cumprir o mandado de reintegração de posse do terreno que está sendo chamado de Assentamento São Francisco de Sales pelas famílias que ocupam a área desde o dia 30 de abril. O terreno fica ao lado da marginal da Avenida Guilherme de Almeida (Zona Sul).
A área pertence à construtora Abussafe, do vereador João Dib Abussafe (PPS). Segundo a advogada da construtora, Inajá Viana Silvestre, a determinação judicial se estende ao comando da Polícia Militar do Paraná e à Secretária Estadual de Segurança Pública.
''Essas autoridades foram intimadas a cumprir o mandado de reintegração no dia 10 de julho, e tinham prazo de 10 dias para isso. O comando do 5º BPM pediu à Justiça que a data fosse estendida. O juiz acatou esse pedido e estendeu o prazo até terça-feira'', informou a advogada.
O porta-voz do 5º BPM, tenente Ricardo Eguedis, confirmou que a corporação está informada sobre o prazo, porém, segundo ele, ainda não há definição do comando-geral da PM se a ação policial será realizada até terça-feira. Foi estipulada multa de R$ 4 mil por dia para cada uma das três autoridades estaduais caso o local não seja desocupado dentro do prazo estabelecido.
''É preciso lembrar que não se trata de um grupo de criminosos, mas de pessoas que estão ocupando ilegalmente uma área. Esse tipo de operação é complexa e a polícia vai como apoio'', destacou Eguedis.
No assentamento, o clima é de apreensão. O presidente da associação informal de moradores do assentamento São Francisco de Sales, Robson Pereira dos Santos, relatou que 227 famílias estão no local. ''A maioria quer permanecer. Se a polícia vier, não vamos enfrentar, mas voltaremos a ocupar no dia seguinte. Sabemos que o prefeito tem que arrumar outro local, mas queremos ficar aqui'', comentou.
Além de um prazo maior para a retirada das famílias, o comando do 5º BPM também solicitou judicialmente que a prefeitura de Londrina providencie uma outra área para receber as famílias e que a construtora Abussafe disponibilize ônibus e carregadores para a retirada.
''Nós já providenciamos o transporte para o pessoal e os carregadores. No entanto, surgiu um problema social e a prefeitura tem que arrumar um local para que essas pessoas sejam levadas'', declarou a advogada da construtora.
Por meio da assessoria de imprensa, a Prefeitura informou que desconhece o adendo do juiz, que pede ao Município que destine uma área para abrigar os assentados. Segundo o presidente da Companhia de Habitação de Londrina (Cohab), Rosalmir Moreira, não há área disponível na cidade para atender as famílias assentadas. ''Eles devem retornar para o local de onde vieram, se inscrever na Cohab e aguardar o próximo empreendimento da Companhia'', explicou Moreira, ressaltando que foram realizadas duas reuniões com a comunidade, uma logo no início da ocupação e outra um mês após a tomada do terreno. ''Priorizamos a fila já existente'', garantiu o presidente. (Colaborou Mariana Guerin).

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