A Polícia Militar vai permanecer nos próximos 15 dias no comando interno da Penitenciária Central do Estado (PCE). A decisão foi tomada depois que os agentes penitenciários se recusaram a voltar ao trabalho por causa da falta de segurança no local.
Os sete reféns da rebelião, que passaram 86 horas sob a ameçada de armas, são agentes penitenciários. ‘‘O estresse dos outros agentes que acompanharam de longe toda a movimentação foi intenso. Eles ficaram com muito medo e não querem retomar imediatamente as atividades’’, explicou Carlos Maranhão, secretário interino de Estado da Justiça.
Durante o motim, a vice-presidente do Sindicato dos Servidores e Agentes Penitenciários do Paraná, Sandra Márcia Duarte, já havia alertado para o problema. Ela criticou o governo por não ter reforçado a segurança desde a última rebelião, ocorrida em junho. Naquela ocasião, um agente penitenciário – também feito refém – ficou paralítico depois de ser jogado de uma laje no teto do presídio.
Os agentes penitenciários deverão passar por um trabalho psicológico antes de reiniciarem as atividades. Maranhão não descartou a possibilidade de o tempo do controle interno da PM ser ampliado. ‘‘Posso dizer apenas que será de, no mínimo, 15 dias. Pode ser bem mais’’, acrescentou. O secretário de Segurança, José Tavares, completou. ‘‘Os militares ficarão o tempo que for necessário’’.
A função da PM durante a ‘‘intervenção’’ será garantir a segurança do presídio e dos presos ameaçados de morte. Ontem, sete deles foram transferidos para a Prisão Provisória de Curitiba, localizado no bairro do Ahú (região norte da cidade). Eles também terão a incumbência de detectar os pontos frágeis da unidade para posterior avaliação.
Na varredura feita ontem pela Companhia de Choque, foram encontradas facas e estoques nas celas da penitenciária. Foram apreendidas também cinco pistolas e uma granada de brinquedo. (L.P.)

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