PM substitui agentes 'traumatizados'
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quinta-feira, 12 de outubro de 2000
De Piraquara 
A Polícia Militar vai permanecer nos próximos 15 dias no comando interno da Penitenciária Central do Estado (PCE). A decisão foi tomada depois que os agentes penitenciários se recusaram a voltar ao trabalho por causa da falta de segurança no local.
Os sete reféns da rebelião, que passaram 86 horas sob a ameçada de armas, são agentes penitenciários. O estresse dos outros agentes que acompanharam de longe toda a movimentação foi intenso. Eles ficaram com muito medo e não querem retomar imediatamente as atividades, explicou Carlos Maranhão, secretário interino de Estado da Justiça.
Durante o motim, a vice-presidente do Sindicato dos Servidores e Agentes Penitenciários do Paraná, Sandra Márcia Duarte, já havia alertado para o problema. Ela criticou o governo por não ter reforçado a segurança desde a última rebelião, ocorrida em junho. Naquela ocasião, um agente penitenciário também feito refém ficou paralítico depois de ser jogado de uma laje no teto do presídio.
Os agentes penitenciários deverão passar por um trabalho psicológico antes de reiniciarem as atividades. Maranhão não descartou a possibilidade de o tempo do controle interno da PM ser ampliado. Posso dizer apenas que será de, no mínimo, 15 dias. Pode ser bem mais, acrescentou. O secretário de Segurança, José Tavares, completou. Os militares ficarão o tempo que for necessário.
A função da PM durante a intervenção será garantir a segurança do presídio e dos presos ameaçados de morte. Ontem, sete deles foram transferidos para a Prisão Provisória de Curitiba, localizado no bairro do Ahú (região norte da cidade). Eles também terão a incumbência de detectar os pontos frágeis da unidade para posterior avaliação.
Na varredura feita ontem pela Companhia de Choque, foram encontradas facas e estoques nas celas da penitenciária. Foram apreendidas também cinco pistolas e uma granada de brinquedo. (L.P.)


