O sargento Antonio Gomes, do 4º Batalhão da Polícia Militar (4º BPM) de Maringá, teve uma crise nervosa ontem à tarde e precisou ser atendido pelo Siate. A mulher dele participa do movimento que desde terça-feira bloqueia a entrada do 4º BPM. Segundo a coordenadora do movimento, Deocelia de Fátima Cruz Mendes, o sargento ficou nervoso e decepcionado com a falta de acordo entre a Associação das Esposas dos Policiais Militares e o governo do Estado. ‘‘Ele (sargento) não se conforma com a falta de sensibilidade do governo e com a própria situação de toda a categoria’’, afirmou Deocelia.
Segundo o Siate, Antonio Gomes estava com ‘‘stress emocional’’ e foi orientado pelos médicos a ficar em repouso. ‘‘A pressão em cima dos policiais também é muito grande’’, ressaltou Deocelia. Como estão impedidos de entrar, policiais que realizam serviços internos também se concentram em frente ao batalhão.
Os policiais afirmam que não vão tolerar qualquer tipo de atitude do comando contra o movimento das esposas. Há um clima de tensão entre eles, até porque integrantes da P2 (serviço reservado da PM) estariam levando informações do protesto para o comando da PM. ‘‘Alguns militares acabaram se revelando como traidores e dificilmente serão perdoados pelos colegas’’, disse uma fonte da PM à Folha.
As mulheres tentaram anteontem à noite guinchar as seis viaturas e sete motos que retiraram de uma praça do centro da cidade. Segundo as manifestantes, os donos dos caminhões guinchos ficaram com receio de fazer o serviço. ‘‘Temos medo de as viaturas serem depredadas e a culpa cair em cima do movimento’’, alertou Deocelia.
Segundo o delegado-adjunto da 9ª Subdivisão Policial de Maringá, Nilson Rodrigues da Silva, o número de ocorrências está normal na cidade, mesmo com a redução da estrutura de atendimento da PM. Silva disse que a preocupação é com o final de semana, quando aumentam as ocorrências.

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