Cerca de 130 policiais militares de Guarapuava, Cascavel e Curitiba retiraram na madrugada de ontem as famílias integrantes do Movimento Urbano dos Sem Teto (MUST) que ocupavam um terreno de 40 mil metros quadrados no bairro Boqueirão, pertencente à Prefeitura de Guarapuava. A ação de desocupação foi determinada pelo secretário estadual da Segurança Pública, Rubens Abrão Tanure. A autorização para cumprimento do mandado de reintegração de posse foi dada no dia 12.
As mulheres e crianças que estavam no acampamento foram levadas para o Albergue Noturno Frederico Ozanan, em Guarapuava. Os 17 homens que integravam o grupo de invasores estão presos na cadeia da 14ª Subdivisão Policial, à disposição da juíza Cristhine Kapmann Bittencourt. Eles poderão ser processados por não cumprir mandado de reintegração de posse expedido pela 1ª Vara Cível de Guarapuava. O grupo foi autuado em flagrante por resistir à prisão e por esbulho possessório.
A Polícia Militar mobilizou para a ação todo o efetivo do 16º Batalhão. Segundo a polícia, não foi necessário o uso da força.
Para o assessor das Pastorais Sociais da Diocese de Guarapuava, padre Afonso Maria das Chagas, a desocupação foi ‘‘uma verdadeira operação de guerra’’. ‘‘A PM levou cachorros, e alguns homens foram espancados e presos só de cuecas’’, denunciou. ‘‘Os policiais aproveitaram que todos estavam dormindo e arrombaram as portas, quebraram telhados dos barracos, num verdadeiro ato de terrorismo psicológico’’, afirmou.
O padre disse ainda que a ação foi violenta e poderia servir como exemplo para desestimular novas invasões urbanas. Ele acusa ainda o prefeito Vitor Hugo Burko de omissão, por não ter recebido os sem-teto.

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