O comando geral da PM paranaense reconheceu ontem através de nota enviada à imprensa que a abordagem policial que terminou na morte do servente de pedreiro Aírton Cardoso dos Santos, 26 anos, foi ‘‘uma abordagem mal sucedida’’. Santos foi morto por volta das 23 horas de domingo passado pelo sargento Vanderlei Donizete Rodrigues na favela da Vila Esperança, no bairro Atuba, em Curitiba.
O sargento alegou aos seus superiores que o servente de pedreiro poderia sacar uma arma. Ele teria feito movimentos bruscos com as mãos em direção ao bolsos de sua jaqueta. Santos levou um tiro no peito e morreu logo depois. Ele estava na frente de um bar trabalhando numa obra. Revoltados com o resultado da abordagem, os moradores da Vila Esperança chegaram a organizar um protesto na noite de segunda-feira. Viaturas da PM e da Polícia Rodoviária Federal teriam sido apedrejadas durante o protesto que culminou com o fechamento da Estrada da Ribeira por cerca de quatro horas.
Na nota divulgada ontem, o chefe do Estado Maior da Polícia Militar, coronel Valdemar Kretschmer, considerou que ‘‘em tese, trata-se de um caso isolado, a princípio condicionado por grave erro policial, com as quais a Polícia Militar não compactua, a gerar as responsabilidades previstas em lei’’. Perguntado se o sargento poderá ser expulso da PM, Kretschmer respondeu que vai aguardar o pronunciamento da Justiça.
Rodrigues irá responder a inquérito policial militar, mas vai responder a processo na Justiça comum. Natural de Cascavel, e com oito anos de profissão, o policial e seus companheiros vindos do interior foram informados que deveriam permanecer trabalhando em Curitiba.
Reclamações de sargentos sobre as condições em que se encontram alojados em locais improvisados e a distância da família vieram à tona depois do erro de Rodrigues. O coronel Valdemar Kretschmer salientou que os candidatos foram avisados de que iriam prestar o concurso para trabalhar no Comando do Policiamento da Capital e que o a corporação não tem obrigação de dar alojamento aos policiais, que estavam vivendo no subsolo da rodoferroviária.

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