‘‘Não há coletes suficientes para todos os policiais que estão a serviço, e boa parte dos coletes disponíveis estão vencidos’’. A afirmação é de um policial militar do 5º Batalhão da PM em Londrina, que não quis se identificar por medo de represálias. Ele rebate a informação do comandante-geral do Paraná, Gilberto Foltran, em entrevista publicada anteontem na Folha. Foltran afirmou que foram comprados mais mil coletes e que só não usaria em serviço quem não quisesse. ‘‘O que significam mil coletes para um efetivo de 17 mil homens?’’, questiona o policial.
O comandante disse ainda que a polícia tem que estar próxima da sociedade, ser comunitária. O policial rebate mais uma vez dizendo que não é permitida a conversa de PMs com pessoas da comunidade. O contato máximo permitido, segundo ele, é o repasse de informações.
Ainda segundo denúncia do PM, as verbas destinadas ao Batalhão de Londrina nem sempre chegam ao quartel. Por isso obras realizadas no quartel e equipamentos utilizados teriam a contribuição de empresários da cidade. É o caso do refeitório dor 5º BPM que estaria sendo construído com ajuda de um grande supermercado da cidade e da Sociedade Rural do Paraná (SRP).
O refeitório, segundo o policial, não teria utilidade, pois não são servidas refeições ao grupamento. A conduta desenvolvida pelo comando seria a montagem de uma carga horária com intervalos para que os policiais façam as refeições em casa.
O diretor financeiro da Sociedade Rural do Paraná, Walter Marinho Falcão, confirma a contribuição da entidade na construção do refeitório da PM. ‘‘Todos os anos, a Polícia Militar presta serviços para a Rural e temos que pagar uma taxa por isso. Este ano, houve um acordo para substituir o pagamento dessa taxa por repasse de material de construção’’, explica Falcão. Segundo ele, até o momento já foram gastos em torno de R$ 10 mil.

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